Pedro Roque

Moradores se reuniram com a Defensória Pública para discutir sobre problemas no fornecimento de energia eletríca
Moradores da Agrovila Campão Orgânico participaram de uma reunião na Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, na última quinta-feira (23), para discutir medidas emergenciais após a interrupção do fornecimento de energia elétrica na comunidade.
Participaram do encontro a coordenadora do NUCCON (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos do Consumidor), Cláudia Bossay Assumpção Fassa; o vereador Landmark Rios (PT); a assessora jurídica Amanda Justino; as lideranças comunitárias Jonas Lima da Conceição e Emília Aparecida Diniz Almeida; além da advogada Vanessa Corrêa, integrante da Comissão Especial de Regularização Fundiária da OAB/MS.
Horas antes da reunião na Defensoria Pública, o vereador Landmark Rios esteve na comunidade, onde se reuniu com os moradores à luz de velas para dar andamento aos encaminhamentos definidos pelo órgão. No local, as famílias realizaram os cadastros e organizaram a documentação que será anexada à Ação Civil Pública que busca o restabelecimento regular do fornecimento de energia elétrica.
Segundo relato das lideranças, equipes da Energisa estiveram na comunidade na manhã de quinta-feira e realizaram a retirada da fiação elétrica, deixando aproximadamente 200 famílias sem energia. Com a interrupção do serviço, também foi comprometido o funcionamento dos poços artesianos responsáveis pelo abastecimento de água da localidade.
Para Jonas Lima da Conceição, liderança da Agrovila Campão Orgânico, a retirada da rede elétrica trouxe consequências imediatas para a sobrevivência das famílias.
"Hoje nós temos 200 famílias aqui dentro. Sem energia, não temos como tirar água dos poços para sobreviver, para os animais e para as plantações. Quando arrancaram os cabos e até o transformador, tiraram nossa vida."
Jonas afirmou ainda que a comunidade busca uma solução regular para o fornecimento de energia.
"Nós não estamos fugindo de pagar. Queremos que a Energisa reconheça a comunidade e instale energia regular para cada família."
Durante a reunião, a coordenadora do NUCCON informou que será proposta uma Ação Civil Pública com o objetivo de garantir o restabelecimento do fornecimento de energia elétrica de forma regular, permitindo que cada família tenha sua própria unidade consumidora.
Como parte da preparação da ação judicial, serão realizados os cadastros dos moradores e reunidos documentos e fotografias que comprovem a permanência da comunidade na área há mais de quatro anos, além da necessidade urgente do retorno do serviço.
Entre os argumentos que embasarão a ação está a dependência dos poços artesianos, acionados por bombas elétricas, para garantir o abastecimento de água. Também foi destacado que a comunidade reúne idosos, pessoas com deficiência, mães atípicas e moradores que utilizam medicamentos que necessitam de refrigeração, fatores que reforçam a urgência da medida judicial.
Moradora da Agrovila há três anos, Ana Maria Péricles da Silva afirmou que as famílias desejam regularizar a situação e pagar pelo serviço.
"Aqui não está fácil. A gente fica à mercê da sorte. Nós não estamos correndo de pagar, queremos pagar, mas sempre aparece alguma coisa e eles não querem nos entender."
O vereador Landmark Rios acompanhou a reunião e afirmou que seguirá apoiando as famílias na busca por uma solução que assegure o acesso regular à energia elétrica.
A expectativa é de que, com a documentação reunida e o ajuizamento da Ação Civil Pública, seja possível garantir o restabelecimento do serviço, assegurando condições mínimas de dignidade, abastecimento de água e permanência das famílias na Agrovila Campão Orgânico.
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