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Luis Fernando Buainain Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010, 11:50 - A | A

Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010, 11h:50 - A | A

Crescimento por atacado no setor farmacêutico

Luiz Fernando Buainain

Crescimento por atacado no setor farmacêutico

As grandes redes de farmácias e drogarias ganharam destaque recente pelo surgimento da maior varejista do setor, fruto da compra da Drogão pela Drogaria São Paulo. Negociações como esta deverão se tornar ainda mais comuns. Trata-se de uma nova realidade que o setor terá que lidar. Novas fusões podem ser esperadas para ainda este ano. 

Mas em diferentes cantos do País, o varejo independente também arregaça as mangas e observa uma expansão significativa do varejo independente. De acordo com levantamentos da Abrafarma - Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias e do IMS Health, 90% dos 63 mil pontos de vendas de medicamentos no Brasil são farmácias e drogarias que independem de uma rede. O faturamento mensal destas mais de 56 mil lojas supera R$ 14 bilhões. 

Ao que tudo indica, o número de estabelecimentos independentes tende a crescer ainda mais. O aumento na renda das classes C e D aqueceu o mercado, favorecendo a abertura de novos negócios. Com a disponibilidade da classe média em gastar mais, a oferta de serviços e produtos em geral aumenta. Quando se fala em produtos de primeira necessidade, a disponibilidade é imediata.

Para o atacado farmacêutico, o varejo independente é um público estratégico. São pontos de venda que precisam das distribuidoras para repor seus estoques, diferente de algumas grandes redes que possuem centros de distribuição próprios. Neste sentido, a consolidação e expansão destas lojas significam crescimento também para a atividade atacadista. 

Tantas mudanças e tendências suscitam a questão: E o atacado neste cenário? Para onde caminha o futuro da distribuição? Uma vez que o segmento já trabalha com as margens de desconto no limite, o grande fator de diferenciação das atacadistas farmacêuticas estará na qualidade dos serviços. Será cobrada cada vez mais eficiência na entrega de medicamentos e as distribuidoras já estão preparadas para isto. 

Mais do que qualidade na realização da tarefa, o processo de distribuição exige planejamento, visão estratégica e muita ousadia. E para manter o excelente serviço prestado atualmente em todo Brasil e acompanhar este potencial crescimento, o atacado aposta no desenvolvimento cada vez mais no capital humano e em novas ferramentas. O uso da tecnologia para a implantação da rastreabilidade de medicamentos, será com certeza, um divisor de águas para toda a cadeia farmacêutica. No que diz respeito especificamente à logistica, a medida ajudará fortemente no combate ao roubo de cargas, desvios, falsificações, com garantia de mais segurança desde a indústria até os consumidores. 

Recentemente, a Abafarma - Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico anunciou a elaboração de um manual técnico de manuseio, armazenagem e logística de medicamentos termoinstáveis (sujeitos a controle de temperatura). Também serão oferecidos treinamentos para profissionais das distribuidoras associadas envolvidos na recepção, armazenagem, controle e na logística de transporte destes produtos. Atualmente, não há regulamentação específica para procedimentos logísticos desses produtos. Hoje a distribuição é pautada apenas pelas Boas Práticas de Transporte de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela orientação dos fabricantes. 

Outra iniciativa é a criação de comitês temáticos. São frentes de trabalho formadas por representantes de associadas e profissionais especializados em diferentes áreas, que por meio de reuniões e estudos analisam e sugerem melhorias para assuntos ligados ao setor. A entidade já conta com os comitês Tributário/Fiscal, Nota Fiscal Eletrônica, Regulatório/Rastreabilidade e Embalagem Terciária. 

Todas as ações visam acompanhar a dinamicidade (pela qual o) do setor farmacêutico (passa). É pensando no futuro do segmento que hoje a distribuição trabalha para aprimorar sua atividade e continuar a cumprir seu papel de levar medicamentos da indústria para o varejo. Para o futuro, ainda mais eficiência e qualidade estão garantidos. 

* Luiz Fernando Buainain é presidente da Abafarma - Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico
 

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