O anúncio da tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, em meados do ano, teve impacto direto sobre diferentes cadeias produtivas e municípios de Mato Grosso do Sul, ao atingir em cheio a carne bovina e, ao mesmo tempo, preservar a celulose da sobretaxação. A medida alterou fluxos comerciais, paralisou embarques e expôs a dependência regional do mercado norte-americano.
No caso da carne bovina, segundo dados da Secex e análises do Cepea, a tarifa contribuiu para a desaceleração das exportações ao segundo maior destino da proteína brasileira, responsável por cerca de 12% das vendas externas do setor. Em Mato Grosso do Sul, frigoríficos suspenderam embarques destinados aos Estados Unidos, afetando unidades em municípios como Campo Grande, Nova Andradina, Naviraí, Bataguassu e Anastácio, além de impactar cadeias associadas, como couro e piscicultura.
Campo Grande concentrou os efeitos mais intensos, por liderar as exportações estaduais de carne bovina ao mercado norte-americano, com quase a totalidade de suas vendas externas direcionadas aos EUA. A retração nas negociações também atingiu a piscicultura sul-mato-grossense, fortemente dependente do país, com interrupções de contratos e dificuldades logísticas relatadas por produtores.
Em sentido oposto, Três Lagoas atravessou o período sem prejuízos diretos, após a celulose ficar fora da lista de produtos sobretaxados. Entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, o município respondeu por R$ 1,1 bilhão em exportações do produto aos Estados Unidos, mantendo vantagem competitiva e liderança no ranking estadual. O contraste entre carne e celulose evidenciou, ao longo de 2025, como o tarifaço redesenhou o comércio exterior sul-mato-grossense e expôs assimetrias entre setores e regiões.
Na somatória final, o tarifaço foi uma oportunidade para os produtores de Mato Grosso do Sul, que diante de uma possível crise, correram atrás de novos mercados para os produtos, reduzindo a dependência em relação aos Estados Unidos.


