A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, trouxe foco renovado à implementação de ações concretas para conter a crise climática. Pela primeira vez na Amazônia, a conferência reuniu 194 países, além da União Europeia, e destacou o papel estratégico do bioma na regulação climática global, em novembro.
Na abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a emergência climática é também uma crise da desigualdade, que atinge de forma desproporcional mulheres, afrodescendentes, migrantes e comunidades vulneráveis. Ele destacou a importância de povos indígenas e comunidades tradicionais na mitigação das mudanças climáticas e defendeu a criação de um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU. Lula reforçou a necessidade de NDCs mais ambiciosas, financiamento, transferência de tecnologia e políticas de adaptação, lembrando que a mudança do clima já se traduz em tragédias, como o furacão Melissa no Caribe e o tornado no Paraná.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, ressaltou a urgência de transformar compromissos em resultados concretos, destacando desastres recentes no Brasil e no exterior para reforçar que a conferência deveria gerar soluções práticas envolvendo ciência, educação, cultura e multilateralismo.
Um destaque da COP30 foi a apresentação do quarto ciclo do Balanço Ético Global (BEG), iniciativa idealizada pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que permitiu a participação social nas negociações climáticas. Por meio de diálogos regionais em todos os continentes, cidadãos, comunidades indígenas, afrodescendentes, jovens, cientistas, empresários e ativistas puderam contribuir com relatórios que integraram os debates globais.
O calendário de diálogos incluiu Europa (Londres), América Latina e Caribe (Bogotá), Ásia (Nova Delhi), Oceania (Ilhas Fiji), África (Nairóbi) e América do Norte (Nova York), com facilitadores como a ambientalista queniana Wanjira Mathai, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson e a ativista norte-americana Karenna Gore.
A COP30 também deu continuidade às metas definidas na COP29, realizada em Baku, com o aumento do financiamento climático a US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, destinado a países em desenvolvimento para adaptação e mitigação de desastres climáticos.
A agenda da conferência abordou 111 itens prioritários distribuídos em blocos temáticos: adaptação, cidades, infraestrutura, saúde, educação, cultura, sistemas de energia, economia, biodiversidade, agricultura, turismo e justiça climática. O Balanço Ético Global reforçou equidade e responsabilidade moral na governança climática.
Com a conferência realizada no coração da Amazônia, Lula destacou que os participantes tiveram contato direto com a realidade do bioma, lar de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas, reforçando a necessidade de conectar a governança global à proteção ambiental e à justiça social.
Contratempo
Durante a fase final de negociações da COP30, um incêndio atingiu a área da Blue Zone do pavilhão, onde ocorrem as atividades oficiais da conferência. O fogo começou no estande da China, mas não se propagou graças às lonas antichamas do local.
O público foi evacuado e as atividades foram temporariamente suspensas. Segundo o Ministério da Saúde, 21 pessoas receberam atendimento: 19 tiveram inalação de fumaça e duas passaram por crises de ansiedade. Nenhuma queimadura foi registrada. Do total, 12 já receberam alta, enquanto os demais permanecem sob acompanhamento médico.
O ministro do Turismo, Celso Sabino, afirmou que as equipes de bombeiros e segurança agiram prontamente, controlando o incêndio e monitorando a área. A organização da COP30 destacou que não houve feridos graves e que os trabalhos seriam retomados em breve.





