O ano de 2025 entrou para a história política do Brasil como o período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a responder formalmente no Supremo Tribunal Federal (STF) por acusações relacionadas à tentativa de golpe de Estado e aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O processo, acompanhado passo a passo pelo Capital News, extrapolou o campo jurídico e provocou impactos diretos na política nacional, nas relações internacionais e no debate público sobre democracia e soberania.
Denúncia, início do julgamento e o papel do STF
O marco inicial do ano ocorreu quando Bolsonaro e o núcleo central da denúncia passaram a enfrentar julgamento no STF, com a definição de um calendário que previa oito sessões para análise do caso.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma linha de acusação que ligava o ex-presidente aos atos antidemocráticos, sustentando que Bolsonaro teria atuado de forma decisiva para deslegitimar o processo eleitoral e estimular ações contra as instituições.
Com a abertura formal do julgamento, o STF deu início à análise das condutas de Bolsonaro e de outros sete aliados, acusados de participação direta ou indireta na tentativa de ruptura democrática.
Sustentações, delação e embates jurídicos
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Para Vilardi, Bolsonaro foi "dragado" para fatos investigados pela PF
Os primeiros dias do julgamento foram marcados por sustentações orais intensas, com a defesa alegando ausência de provas que ligassem Bolsonaro diretamente à tentativa de golpe.
Paralelamente, a delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid seguiu como um dos pilares do processo. A defesa do militar pediu ao STF a manutenção do acordo de colaboração premiada, considerado estratégico para o andamento do julgamento.
Reação política e polarização nas ruas
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Em Campo Grande, Bolsonaristas realizam ato pró-anistia e impeachment de Moraes
Enquanto o julgamento avançava, a polarização se intensificava fora dos tribunais. Em Campo Grande, apoiadores do ex-presidente realizaram atos pró-anistia e pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.
No campo institucional, ministros do STF rebateram acusações de autoritarismo. O decano Gilmar Mendes afirmou que “não há ditadura da toga no Brasil”, reforçando a legitimidade das decisões da Corte.
Pressão internacional e resposta do Estado brasileiro
Luis Dantas/Divulgação - Via Agência Brasil
Brasília (DF), 30/07/2025 - Embaixada dos Estados Unidos
O julgamento ganhou repercussão internacional após manifestações e ataques verbais envolvendo autoridades estrangeiras. A situação se agravou com declarações envolvendo a Embaixada dos Estados Unidos e críticas direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Em resposta, o ministro Flávio Dino afirmou que o STF não se intimidaria com manifestações de governos estrangeiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao New York Times, reforçou que soberania e democracia são inegociáveis, em um recado direto à comunidade internacional.
Condenação, votos e repercussão nacional
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 11/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes e a ministra Cármen Lúcia durante sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que realiza o quinto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados
Com o avanço do julgamento, o STF passou a formar maioria. Os votos detalharam a responsabilidade de Bolsonaro e aliados, culminando na condenação do ex-presidente, após o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia.
A decisão repercutiu fortemente na imprensa internacional e entre lideranças políticas brasileiras, incluindo reações de parlamentares de Mato Grosso do Sul e críticas do governador Eduardo Riedel, que apontou excessos, mas evitou defender absolvição.
O senador Flávio Bolsonaro reagiu duramente ao voto de Moraes, ampliando o embate político dentro do Congresso Nacional.
Prisão, cirurgia e reorganização política
No desdobramento final do ano, o STF decretou prisão domiciliar de Bolsonaro, decisão que posteriormente evoluiu para a manutenção da prisão preventiva por unanimidade da Primeira Turma.
Durante o período, o ex-presidente foi autorizado a deixar a prisão para realizar cirurgia de hérnia bilateral, procedimento acompanhado pela imprensa nacional.
Mesmo preso, Bolsonaro indicou o filho Flávio Bolsonaro como liderança, em carta escrita à mão, evidenciando a tentativa de reorganização política da direita
Ao longo de cada fase, o Capital News acompanhou os fatos com contextualização, pluralidade de vozes e rigor jornalístico, oferecendo ao leitor um panorama completo de um dos episódios mais decisivos da história recente do Brasil.




