Uma novidade que ajudou muitos brasileiros foi a criação e a implementação do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada. O programa passou a permitir que empregados do setor privado contratem empréstimos com desconto em folha, utilizando parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia, com juros inferiores aos praticados no crédito pessoal tradicional.
A medida entrou em vigor em 21 de março, após ser instituída por medida provisória pelo governo federal. O novo consignado passou a atender cerca de 47 milhões de trabalhadores celetistas, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e contratados por microempreendedores individuais. O acesso foi centralizado na Carteira de Trabalho Digital, que passou a concentrar as ofertas de crédito das instituições financeiras habilitadas.
Nos primeiros dias de funcionamento, o programa registrou forte demanda. Até 25 de março, mais de 48 mil trabalhadores haviam contratado cerca de R$ 340 milhões em empréstimos, com valor médio superior a R$ 7 mil e prazos próximos de dois anos. No mesmo período, foram contabilizadas mais de 64 milhões de simulações, indicando elevado interesse do público-alvo. O governo destacou que a nova linha permitiria a migração de dívidas mais caras, especialmente do crédito pessoal, para condições com juros mais baixos.
Em abril, pouco mais de um mês após o lançamento, o volume de recursos emprestados chegou a R$ 8,9 bilhões, beneficiando quase 1,6 milhão de trabalhadores. Os dados mostraram maior adesão entre pessoas com renda de até quatro salários mínimos, público que concentrava grande parte do endividamento a taxas elevadas. A plataforma integrada ao eSocial passou a expor simultaneamente as ofertas de diversos bancos, ampliando a concorrência entre as instituições financeiras.
Ainda no primeiro semestre, o programa incorporou a possibilidade de portabilidade de empréstimos, permitindo que trabalhadores transferissem dívidas entre bancos em busca de taxas menores. A funcionalidade reforçou o caráter competitivo do modelo e ampliou o poder de escolha dos tomadores de crédito.
Ao longo de 2025, o consignado para CLT ganhou escala. Estimativas divulgadas ao final do ano indicaram um volume contratado próximo de R$ 100 bilhões, com mais de 6 milhões de trabalhadores atendidos. A taxa média de juros ficou em torno de 3% ao mês, significativamente inferior às taxas do crédito sem garantia, que ultrapassavam 10% ao mês em alguns casos. Em outubro, o programa já havia alcançado um ponto de inflexão, com R$ 68 bilhões em contratos acumulados.

