A notícia do pedido de afastamento do diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campo Grande (Funesp), Sandro Trindade Benites, após ser acusado de violência doméstica, chegou até a Câmara Municipal de Campo Grande e causou revolta entre vereadores da Capital. Nos corredores da Casa de Leis, o assunto domina as conversas, com parlamentares defendendo a exoneração do dirigente e cobrando medidas mais firmes diante dos casos de violência contra mulheres no Estado.
Izaias Medeiros/Câmara de Campo Grande
Vereadora Luiza Ribeiro mostra indignação com os casos de violência doméstica contra mulheres
Após a divulgação de que Sandro Benites pediu afastamento do cargo para tratar de “assuntos pessoais”, segundo nota da prefeitura, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) foi enfática ao cobrar providências da administração municipal diante das denúncias consideradas graves envolvendo integrantes do primeiro escalão. A parlamentar exige a exoneração imediata do diretor-presidente da Funesp e ex-vereador, alvo de uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça com base na Lei Maria da Penha.
“Uma pessoa que já foi denunciada por violência doméstica, tendo inclusive medida protetiva expedida pela Justiça, não pode permanecer no comando de uma fundação pública. A Prefeitura de Campo Grande precisa retirar de seus quadros de direção pessoas envolvidas em crimes graves, especialmente aqueles que atingem mulheres, meninas e que envolvem violência sexual”, afirmou Luiza.
A parlamentar destacou ainda que, na semana passada, já havia exigido a demissão do secretário municipal da Juventude, Paulo Lands, acusado de estupro de vulnerável e assédio sexual no ambiente de trabalho.
Segundo Luiza Ribeiro, a postura da prefeita Adriane Lopes em manter ou protelar decisões em relação a esses casos cria um cenário preocupante.
“A prefeita tem optado por um caminho perigoso de proteção aos acusados desses crimes graves, criando expedientes administrativos para mantê-los nos cargos e recebendo recursos públicos. Isso é incompatível com qualquer compromisso real de combate à violência contra as mulheres”, afirmou.
Sobre Sandro Benites, a vereadora ressaltou que, além da ocorrência recente, há relatos de que ele já respondeu anteriormente por casos de violência doméstica. Também constam registros de questionamentos envolvendo sua atuação profissional no passado, incluindo processo administrativo sigiloso na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
“Não interessa se ele é amigo ou aliado político da prefeita. O que interessa é que pessoas com histórico de violência não podem permanecer exercendo funções públicas de liderança”, declarou.
Outro que demonstrou indignação foi o vereador Landmark Rios (PT), que cobrou uma posição mais firme da Prefeitura de Campo Grande após a sucessão de denúncias envolvendo integrantes da gestão municipal. Em menos de duas semanas, três casos distintos envolvendo acusações de assédio, estupro e violência doméstica vieram a público envolvendo pessoas ligadas ao primeiro escalão da administração.
“A prefeita precisa tomar uma atitude firme diante dessas situações. Estamos falando de três casos graves em menos de quinze dias envolvendo pessoas ligadas à gestão. A sociedade espera respostas claras e rápidas quando surgem denúncias desse tipo”, afirmou o vereador.
Sequência de denúncias
A situação ocorre poucos dias depois de outro caso que abalou a gestão municipal. No início do mês, o então secretário municipal da Juventude, Paulo Lands, foi afastado após denúncias envolvendo assédio e estupro de um rapaz que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação.
Outro episódio também envolveu um pastor ligado à gestão municipal, que acabou sendo afastado após acusações relacionadas ao estupro de uma jovem, ocorrido há sete anos. Para Landmark, a sequência de episódios exige reflexão e medidas mais rigorosas por parte da administração municipal.
“Quando casos graves começam a se repetir em um curto espaço de tempo, isso precisa acender um alerta dentro da gestão. A prefeitura precisa adotar critérios ainda mais rigorosos e agir com rapidez para preservar a credibilidade da administração e, principalmente, proteger as mulheres”, afirmou.
Acusação
O diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campo Grande, Sandro Benites, é acusado de cometer violência doméstica. A vítima procurou a polícia para solicitar uma medida protetiva contra o suspeito, que foi deferida pela Justiça após a denúncia.
De acordo com documento obtido pelo Capital News, a vítima procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e relatou aos policiais que vinha sofrendo violência psicológica.
Ao analisar o caso, a Justiça expediu uma medida protetiva de urgência com base na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Segundo o juiz plantonista José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, há indícios suficientes de materialidade e autoria para a concessão da medida.
Com a decisão, Benites está proibido de se aproximar a menos de 500 metros da vítima, de seus familiares e de testemunhas. Ele também está impedido de manter qualquer tipo de contato com a vítima por qualquer meio de comunicação.
O documento não informa qual é o vínculo entre o atual diretor da Funesp e a vítima.
Caso Benites descumpra a determinação judicial, poderá ter a prisão preventiva decretada.
• Saiba mais sobre a denúncia de violência doméstica do Sandro Benites
Afastamento
Após o caso vir à tona, Sandro Benites pediu afastamento do cargo.
De acordo com a nota da prefeitura, a decisão aparece como revogação de designação a pedido, ou seja, a decisão de deixar o comando da Funesp partiu do próprio Sandro.
Em nota, a prefeitura informou que o dirigente solicitou o desligamento do cargo para esclarecer fatos de caráter pessoal.
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