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Assembleia Legislativa

Cartórios deverão comunicar suspeitas de violência financeira contra idosos

Proposta aprovada pelos deputados prevê identificação de possíveis abusos em negócios envolvendo o patrimônio de pessoas idosas

João Gabriel Vilalba
Capital News

Wagner Guimarães/ ALEMS

Deputados analisando pautas que tramitam pela Casa de Leis

Deputados analisando pautas que tramitam pela Casa de Leis

Os deputados estaduais aprovaram um projeto de lei que estabelece medidas preventivas e protetivas contra a violência patrimonial e financeira praticada contra pessoas idosas em Mato Grosso do Sul.

Segundo o texto, a proposta estabelece procedimentos para que notários e oficiais de registro identifiquem situações de vulnerabilidade e possíveis abusos durante atos que envolvam o patrimônio de pessoas com 60 anos ou mais.

Entre as situações que poderão indicar violência patrimonial ou financeira estão a antecipação indevida ou forçada de herança, a venda, transferência ou oneração de imóveis e outros bens mediante coação, fraude ou simulação, além de doações realizadas em contexto de evidente desproporção patrimonial ou sem capacidade de discernimento.

O projeto também abrange a apropriação, utilização indevida ou ocultação de dinheiro, bens e ativos financeiros, assim como outras formas de exploração patrimonial sem o consentimento livre e consciente da pessoa idosa.

A avaliação não ficará restrita à documentação apresentada. Durante o atendimento, os profissionais deverão observar sinais de que a pessoa idosa possa estar sendo pressionada ou não compreender as consequências do negócio.

Entre os indicadores previstos estão medo, intimidação ou constrangimento, dificuldades de comunicação, contradições nas declarações e falta de compreensão sobre a natureza e os efeitos do ato. A repetição de negócios patrimoniais em curto período, principalmente quando envolve o mesmo beneficiário, também será considerada um sinal de alerta.

Diante de indícios ou suspeitas de violência patrimonial ou financeira, o cartório deverá comunicar o caso às autoridades competentes, com encaminhamento à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.

O descumprimento das medidas poderá resultar em sanções administrativas aplicadas pela Corregedoria-Geral de Justiça, além de eventuais responsabilidades civis e criminais previstas na legislação.

Outros projetos aprovados

Também foi aprovado nesta terça-feira (13) o projeto de lei que inclui a campanha Abril Verde e Amarelo no Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.

A proposta prevê ações de conscientização sobre a importância de comunicar às autoridades policiais possíveis movimentações relacionadas a invasões de propriedades privadas. Também estabelece como objetivos incentivar a formação de redes formais e legais de vizinhança rural protegida e divulgar medidas preventivas e orientações jurídicas para auxiliar proprietários na gestão de crises em situações de invasão.

Durante a declaração de voto, o deputado Coronel David defendeu a iniciativa.

“Esta iniciativa não apenas reconhece e protege um direito fundamental, mas também fortalece a segurança jurídica e o desenvolvimento sustentável do nosso Estado. O projeto cria mecanismos pra mostrar a importância de se defender o direito de propriedade”, afirmou.

Os deputados do PT votaram contra a proposta por entenderem que a campanha vai de encontro ao Abril Vermelho, mobilização promovida por movimentos sociais.

Também foi aprovado o Projeto de Lei nº 118/2026, de autoria do deputado Zé Teixeira, que inclui no Calendário Oficial de Eventos do Estado o Julho Turquesa e a Campanha de Conscientização sobre a Síndrome do Olho Seco. A proposta já havia recebido parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).

Já o Projeto de Lei nº 24/2026, conhecido como Cartório 60+ e de autoria do deputado Pedrossian Neto, foi retirado da pauta pelo próprio autor.

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