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Reportagem Especial Domingo, 11 de Outubro de 2026, 07:21 - A | A

Domingo, 11 de Outubro de 2026, 07h:21 - A | A

49 Anos

Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos com indústria em expansão e novos investimentos

Do Vale da Celulose à Rota Bioceânica, estado amplia sua força econômica e inicia novo ciclo político com Eduardo Riedel reeleito

Viviane Freitas
Capital News

Roberto Higa/Foto cedida

População em festa pela criação de Mato Grosso do Sul. Carreata, confete e serpentina: virou Carnaval nas ruas de Campo Grande

População em festa pela criação de Mato Grosso do Sul. Carreata, confete e serpentina: virou Carnaval nas ruas de Campo Grande

Mato Grosso do Sul completa 49 anos neste domingo (11) em um cenário de expansão econômica, marcado pela chegada de grandes indústrias, pelo fortalecimento do agronegócio e por investimentos em infraestrutura. Criado em 1977, o estado que construiu sua economia sobre a agricultura e a pecuária consolidou novas atividades produtivas, especialmente nos setores de celulose, biocombustíveis e alimentos, ampliando sua participação no mercado nacional e internacional.

Arquivo Histórico de Campo Grande (ARCA)

Mato Grosso do Sul completa 38 anos de emancipação política

A instalação formal do governo se deu em 1º de janeiro de 1979

A história do estado começou oficialmente em 11 de outubro de 1977, quando o presidente Ernesto Geisel sancionou a Lei Complementar nº 31, determinando a divisão de Mato Grosso. A instalação administrativa ocorreu em 1º de janeiro de 1979, com Campo Grande escolhida como capital. Desde então, Mato Grosso do Sul passou por transformações que incluíram o crescimento das cidades, a ampliação da malha rodoviária, a modernização da produção agropecuária e a chegada de novos empreendimentos.

Uma das principais mudanças recentes ocorreu no chamado Vale da Celulose, região que concentra grandes investimentos industriais. Em Três Lagoas, as fábricas da Suzano e da Eldorado Brasil consolidaram o município como referência no setor. Em Ribas do Rio Pardo, a unidade da Suzano, inaugurada em 2024, ampliou a capacidade produtiva estadual, enquanto Inocência recebe a construção de uma fábrica da chilena Arauco, com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões e previsão de operação a partir de 2027.

O setor de biocombustíveis também ganhou espaço na economia sul-mato-grossense. Em Sidrolândia e Dourados, as unidades industriais da Inpasa fortaleceram a produção de etanol de milho e derivados utilizados na alimentação animal. Os empreendimentos ampliaram a demanda por matérias-primas, transporte e serviços especializados, aproximando ainda mais a produção agrícola da indústria e criando oportunidades para fornecedores e trabalhadores da região.

Álvaro Rezende/Secom

Vale da Celulose em expansão no Mato Grosso do Sul

Vale da Celulose em expansão continua no Mato Grosso do Sul com a chegada de grandes empresas

Ricardo Stuckert / PR

JBS vai investir R$ 150 milhões em unidade de Campo Grande

Planta frigorífica da JBS em Campo Grande, na Rodovia BR-060

A pecuária e a indústria frigorífica, atividades tradicionais do estado, continuam desempenhando papel importante na geração de empregos e nas exportações. Empresas como JBS e Minerva Foods integram uma cadeia produtiva que movimenta propriedades rurais, transportadoras, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. Ao lado do processamento de carnes, a produção de soja, milho e cana-de-açúcar mantém o agronegócio entre os principais pilares da economia estadual.

O crescimento industrial também produz reflexos no comércio e no setor de serviços. Em Campo Grande e nos municípios do interior, a movimentação econômica impulsiona atividades como construção civil, supermercados, restaurantes, hotelaria e transporte. A chegada de trabalhadores e fornecedores amplia o mercado consumidor, mas também exige investimentos em habitação, saneamento, educação, saúde e qualificação profissional para acompanhar o ritmo de expansão das cidades.

Divulgação/MOPC PY

Ponte Bioceânica conclui ligação entre Brasil e Paraguai em Porto Murtinho

Ponte Bioceânica conclui ligação entre Brasil e Paraguai em Porto Murtinho

Outro projeto considerado estratégico para o futuro de Mato Grosso do Sul é a Rota Bioceânica, corredor rodoviário que pretende conectar o Brasil aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile. A iniciativa tem potencial para reduzir distâncias logísticas em determinadas operações comerciais e abrir novas possibilidades de exportação, especialmente para mercados asiáticos. A construção da ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta representa uma das principais etapas da integração, embora a consolidação da rota ainda dependa da conclusão de obras e estruturas logísticas nos países envolvidos.

O aniversário de 49 anos ocorre também em um momento de continuidade política, após a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) no primeiro turno das eleições de 2026. Com um novo mandato previsto para começar em janeiro de 2027, o chefe do Executivo estadual terá pela frente o desafio de acompanhar a expansão industrial, ampliar a infraestrutura e fazer com que os investimentos se traduzam em melhorias para a população. Às vésperas de completar meio século de criação, Mato Grosso do Sul reúne uma trajetória de crescimento econômico e novas perspectivas de desenvolvimento, mas também enfrenta o desafio de distribuir os benefícios dessa transformação entre suas diferentes regiões.

A Rota Bioceânica representa uma das principais apostas de Mato Grosso do Sul para ampliar sua participação no comércio internacional. O corredor rodoviário, que atravessará Paraguai, Argentina e Chile, deverá criar novas alternativas para o transporte de mercadorias entre o Brasil e os portos do Oceano Pacífico. Em Porto Murtinho, a ponte internacional sobre o Rio Paraguai integra esse projeto de conexão, que poderá beneficiar setores como agronegócio, indústria, transporte e turismo. A efetivação desses ganhos, no entanto, dependerá da conclusão das obras de infraestrutura e da integração logística entre os países envolvidos.

Nesse cenário de transformação econômica, Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos após a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), confirmada no primeiro turno das eleições de 4 de outubro. À frente do Executivo estadual desde 2023, Riedel iniciará seu segundo mandato em janeiro de 2027, em um período marcado pela expansão industrial e por novas demandas de infraestrutura e serviços públicos. O desafio dos próximos anos será conciliar o crescimento econômico com o desenvolvimento regional, garantindo que os investimentos e as oportunidades também contribuam para melhorar as condições de vida da população sul-mato-grossense.

 
 

Anderson Ramos/Capital News

Reeleito, Eduardo Riedel fala à imprensa no TRE-MS ao lado de aliados, em Campo Grande

O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) fala à imprensa no TRE-MS, em Campo Grande, ao lado de aliados, entre eles a senadora Tereza Cristina (PP-MS)

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