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Judiciário Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026, 08:25 - A | A

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026, 08h:25 - A | A

Ministério Público Federal

MPF investiga incêndio no Pantanal atribuído a falhas em ferrovia

Fogo destruiu quase 18 mil hectares e resultou em multas que superam R$ 57 milhões

Viviane Freitas
Capital News

O Ministério Público Federal abriu um inquérito civil para aprofundar a apuração sobre um incêndio florestal registrado no Pantanal, em agosto de 2024, que teria sido provocado durante a manutenção de uma linha férrea operada pela Rumo Malha Oeste. A investigação busca detalhar o auto de infração lavrado pelo Ibama e reunir novos elementos técnicos sobre os danos ambientais causados pelo fogo.

Após a ocorrência, o Ibama aplicou duas multas à concessionária ferroviária, que juntas ultrapassam R$ 57 milhões. A penalidade mais elevada, de R$ 50 milhões, foi imposta pela destruição da vegetação nativa, enquanto outra multa, de R$ 7,5 milhões, refere-se ao descumprimento de condicionantes do licenciamento ambiental da ferrovia. Uma empresa terceirizada responsável pela manutenção da via também foi autuada no mesmo valor, apontada como corresponsável pelo incêndio.

O fogo teve início na região de Porto Esperança, em Corumbá, em uma área de difícil acesso, e só foi controlado após sete dias. De acordo com relatos colhidos durante a fiscalização, faíscas produzidas por equipamentos elétricos utilizados na manutenção dos trilhos teriam atingido a vegetação seca ao redor da ferrovia, facilitando a propagação das chamas. Ao todo, quase 18 mil hectares do bioma Pantanal foram atingidos, com impactos significativos sobre a fauna local.

Além do episódio ambiental, a Rumo acumula um histórico de autuações por falhas na conservação da malha ferroviária. Entre 2021 e 2024, a empresa foi multada dezenas de vezes por problemas como abandono de estruturas, retirada irregular de trilhos e falta de manutenção adequada. Relatórios da Agência Nacional de Transportes Terrestres apontam que a concessionária realizou intervenções consideradas insuficientes diante do estado precário da ferrovia, o que reforça a apuração em curso sobre responsabilidades e danos ao patrimônio ambiental.

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