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Saúde com H Domingo, 19 de Julho de 2026, 14:41 - A | A

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Coluna Saúde com H

Disfunção erétil em jovens revela o preço oculto do uso estético de anabolizantes

Por Dr. Paulo Egydio

Da coluna Saúde com H
Artigo de responsabilidade do autor

Revisão científica recente associa o uso prolongado de anabolizantes a problemas de ereção e alterações hormonais em jovens

Nikola Gladovic/ Unsplash

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A busca pelo corpo ideal e pelo ganho rápido de massa muscular pode trazer consequências pouco discutidas para a saúde sexual masculina.

Bastam alguns minutos navegando pelas redes sociais para encontrar homens exibindo músculos definidos, abdômens esculpidos e promessas de transformação rápida. Em perfis dedicados ao universo fitness, recomendações sobre ciclos de anabolizantes são frequentemente apresentadas como estratégias rápidas para ganhar massa muscular, muitas vezes sem qualquer contextualização sobre os riscos envolvidos.

Uma revisão científica publicada em maio de 2026 ajuda a dimensionar uma dessas consequências pouco discutidas: a associação entre o uso prolongado de anabolizantes e casos de disfunção erétil em homens jovens, muitos deles frequentadores de academias e praticantes de modalidades como fisiculturismo e powerlifting.

O estudo reuniu evidências de que o uso prolongado dessas substâncias está associado não apenas à disfunção erétil, mas também ao hipogonadismo, caracterizado pela redução da produção natural de testosterona e sintomas como queda da libido, fadiga e perda de desempenho sexual, além de prejuízos à função reprodutiva.

O dado chama atenção porque os casos se concentraram principalmente em homens entre 28 e 33 anos, faixa etária normalmente associada ao auge da função sexual masculina. Em outras palavras, a tentativa de alcançar o ápice da aparência física pode comprometer uma das funções mais associadas à própria virilidade.

O problema está no desequilíbrio provocado pelo uso indiscriminado dessas substâncias, que pode levar à supressão do eixo hormonal. "O organismo entende que já existe testosterona em excesso circulando no sangue. Como consequência, o cérebro reduz os estímulos hormonais enviados aos testículos, que deixam de produzir testosterona naturalmente", explica o médico Dr. Paulo Egydio, PhD em Urologia.

O especialista também detalha que a testosterona participa, não apenas do desejo sexual, mas também de mecanismos que favorecem a ereção, incluindo a produção de substâncias que facilitam o fluxo sanguíneo peniano. “Quando há supressão hormonal importante, o impacto pode atingir tanto a libido quanto a capacidade erétil", afirma.

Mas os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes vão além da esfera sexual. Essas substâncias estão associadas ao aumento do colesterol LDL, redução do HDL, maior viscosidade sanguínea e aceleração de processos inflamatórios que favorecem doenças cardiovasculares.

Como a ereção depende diretamente de uma circulação adequada, alterações vasculares também podem contribuir para a disfunção erétil. Há ainda relatos de alterações de humor, irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos relacionados ao uso prolongado.

Uso médico não é uso estético

Em relação ao hormônio sintético, os especialistas fazem questão de distinguir o uso médico do estético. A terapia hormonal pode ser indicada para homens com deficiência comprovada de testosterona, após avaliação clínica e exames laboratoriais, com acompanhamento médico contínuo e monitoramento dos riscos e benefícios.

Já o uso recreativo ou exclusivamente estético costuma envolver doses muito superiores às terapêuticas, combinações de substâncias e produtos de procedência duvidosa.

A própria Resolução nº 2.333/2023 do Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos ou de melhora de desempenho esportivo em pessoas sem deficiência hormonal comprovada.

É possível reverter?

A boa notícia é que muitos pacientes conseguem recuperar parcial ou totalmente a função hormonal após interromper o uso das substâncias. No entanto, o processo não é simples.

"O tempo de recuperação depende da idade, do tempo de exposição, das doses utilizadas e do grau de comprometimento testicular", explica o Dr. Paulo. "Em alguns casos, é necessário recorrer a terapias específicas para estimular novamente a produção hormonal e tratar a disfunção erétil."

Por isso, sintomas como queda importante da libido, ausência de ereções matinais, fadiga persistente e dificuldade frequente para manter a ereção devem motivar uma avaliação com o urologista.

Embora muitos usuários enxerguem os anabolizantes apenas como um atalho para resultados estéticos, os efeitos do uso sem acompanhamento médico podem ultrapassar a aparência física e atingir áreas centrais da saúde masculina. Para especialistas, informação e orientação adequada continuam sendo as principais ferramentas para evitar que a busca pelo corpo ideal tenha consequências duradouras para a qualidade de vida e a saúde sexual.


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Divulgação

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Dr. Paulo Egydio

Dr. Paulo Egydio
Urologista | PhD pela Universidade de São Paulo (USP)
Especialista em cirurgia reconstrutiva peniana, com foco no tratamento da Doença de Peyronie e na implantação de próteses penianas em casos desafiadores e complexos. Formado pela USP, onde concluiu residência médica e doutorado, complementou sua formação em centros internacionais de excelência, como a Mayo Clinic e a Cleveland Clinic Foundation.

Ao longo de sua carreira, tem se dedicado ao avanço técnico-científico da urologia reconstrutiva, realizando centenas de procedimentos, incluindo cirurgias ao vivo apresentadas em universidades e congressos internacionais. Já proferiu mais de 100 palestras e participou ativamente como debatedor em eventos científicos de destaque.

É autor e coautor de mais de 50 publicações, entre artigos científicos e capítulos de livros, com contribuições relevantes para a padronização e o refinamento das técnicas cirúrgicas aplicadas à saúde sexual masculina."

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