O episódio envolvendo Jair Renan Bolsonaro, vereador e candidato a deputado federal por Santa Catarina, em que é criticado ao tentar abonar falta na Câmara de Balneário Camboriú, é mais um retrato daquilo que se tornou a chamada família metralha Bolsonaro: um clã político que se alimenta de privilégios, mas pouco ou nada devolve em termos de responsabilidade pública. Ao pedir que sua ausência em sessão fosse abonada para visitar o pai — preso por tentativa de golpe —, Jair Renan expôs não apenas sua falta de compromisso com o mandato, mas também sua incapacidade de compreender o papel que ocupa.
Enquanto qualquer trabalhador brasileiro sabe que não pode simplesmente faltar ao serviço para visitas pessoais, o vereador insiste em transformar o cargo em extensão de sua vida privada. O regimento da Câmara é claro: faltas não justificadas geram desconto no salário. Ainda assim, Renan tentou escapar da regra, como se estivesse acima dela. Recebendo R$ 18,2 mil mensais — mais do que um professor —, sua postura é um insulto à cidadania.
Não se trata de um caso isolado. Desde o início da campanha, já foram três faltas em plenário e diversas ausências em comissões permanentes. Sua atuação legislativa, segundo o Estadão, é pífia: quatro projetos aprovados em um ano e meio, nenhum implementado, e um deles plagiado da Câmara de São Paulo. A imagem que se constrói é a de um “poste” político, eleito por acaso, sem ideias próprias e sem preparo para funções básicas de responsabilidade.
Até mesmo aliados de seu campo político reconhecem sua fragilidade. O deputado Nikolas Ferreira comparou sua inteligência à de uma “toupeira cega”, metáfora cruel, mas reveladora do descrédito que Jair Renan desperta. O episódio reforça a percepção de que sua presença na política é fruto apenas do sobrenome que carrega, não de mérito ou competência.
Nesse contexto, merece destaque a postura firme do vereador Marcelo Achutti, que lembrou que candidatos sérios se licenciam para disputar eleições, em vez de pedir favores à Casa. Sua intervenção foi um ato republicano, que expôs a infantilidade e irresponsabilidade de Jair Renan.
O eleitor precisa estar atento: práticas oportunistas como essa corroem a democracia e banalizam o exercício da cidadania. É hora de dar cartão vermelho a quem confunde mandato com privilégio familiar. A política exige seriedade, não a inteligência de uma toupeira cega — sobretudo quando o clã Bolsonaro, incluindo esposa e filhos, se prepara para disputar novas benesses nas urnas em 4 de outubro próximo, numa tentativa de perpetuar o projeto familiar de poder que há anos parasita o Estado brasileiro.
*Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC
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