Estudo revela impacto relevante na saúde sexual masculina e destaca a importância do acompanhamento médico
Uma pesquisa inédita no Brasil trouxe dados preocupantes sobre o risco de desenvolver disfunção erétil após uma cirurgia de próstata. Os resultados mostram que 8 em cada 10 homens que passam por esse tipo de procedimento têm dificuldade de realizar a penetração durante o sexo.
O levantamento, conduzido pelo urologista Dr. Paulo Egydio, analisou o histórico clínico de 1.902 pacientes, com o objetivo de mapear a incidência de disfunção erétil no país. Os resultados reforçam a necessidade de abordar problemas na próstata de forma integrada à saúde sexual masculina, garantindo acompanhamento adequado antes e depois da cirurgia.
Cirurgia de próstata pode levar à disfunção erétil
A intervenção cirúrgica na próstata é um procedimento frequente no tratamento de condições como câncer ou hiperplasia prostática benigna, quando o aumento da glândula prejudica a função urinária e impacta a qualidade de vida.
Existem diferentes formas de realizar a cirurgia, que vão desde técnicas tradicionais, abertas, até métodos menos invasivos, como a laparoscopia e a cirurgia assistida por robô.
Entre os pacientes que apresentam disfunção erétil após a cirurgia, a idade média é de 64 anos. Segundo especialistas, isso ocorre porque a próstata está localizada próxima aos nervos responsáveis pela ereção, o que aumenta o risco de comprometimento sexual.
Esse efeito colateral é especialmente comum em cirurgias mais extensas, como a prostatectomia radical, e pode resultar em dificuldades temporárias ou, em alguns casos, permanentes.
Tratamentos para disfunção sexual após a cirurgia
Segundo o estudo conduzido pelo Dr. Paulo Egydio, o medicamento mais utilizado para tratar a disfunção erétil pós-cirurgia é a tadalafila, presente em 67% dos casos.
Outra opção é a sildenafila, utilizada por 36% dos pacientes. Apesar de seu efeito mais curto, continua sendo uma alternativa para auxiliar na recuperação da função sexual.
Quando os comprimidos não apresentam resultados, injeções intracavernosas podem ser indicadas. O Caverject foi adotado por 17% dos homens, enquanto os coquetéis Bimix ou Trimix foram utilizados por 25%.
A fisioterapia peniana também é uma estratégia de reabilitação, empregada por 17% dos pacientes. No entanto, o fato de que cerca de 20% dos homens nunca procuraram tratamento mostra a importância de um acompanhamento contínuo.
Importância do acompanhamento pós-operatório
O monitoramento após a cirurgia de próstata é essencial para identificar precocemente qualquer impacto na função sexual e definir estratégias que favoreçam a recuperação.
Com orientação médica adequada, é possível escolher a abordagem terapêutica mais indicada, melhorar a adesão ao tratamento e reduzir limitações que poderiam ser prevenidas ou minimizadas.
As informações têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dúvidas ou necessidade de intervenção, a consulta com um especialista é sempre recomendada.
Foto: DivulgaçãoColuna Saúde com H
Dr. Paulo Egydio
Urologista | PhD pela Universidade de São Paulo (USP)
Especialista em cirurgia reconstrutiva peniana, com foco no tratamento da Doença de Peyronie e na implantação de próteses penianas em casos desafiadores e complexos. Formado pela USP, onde concluiu residência médica e doutorado, complementou sua formação em centros internacionais de excelência, como a Mayo Clinic e a Cleveland Clinic Foundation.
Ao longo de sua carreira, tem se dedicado ao avanço técnico-científico da urologia reconstrutiva, realizando centenas de procedimentos, incluindo cirurgias ao vivo apresentadas em universidades e congressos internacionais. Já proferiu mais de 100 palestras e participou ativamente como debatedor em eventos científicos de destaque.
É autor e coautor de mais de 50 publicações, entre artigos científicos e capítulos de livros, com contribuições relevantes para a padronização e o refinamento das técnicas cirúrgicas aplicadas à saúde sexual masculina.
O conteúdo desta coluna, incluindo dados e opiniões, é de inteira responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião do Capital News.
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