Não foi só na agricultura que passamos por momentos tensos em 2025. Em maio, a detecção da gripe aviária foi o principal fator de tensão para a avicultura brasileira, marcando o ano com uma sequência de episódios sanitários, comerciais e institucionais que testaram a capacidade de resposta do setor. A crise teve início com a confirmação do primeiro foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, rompendo um cenário até então restrito a aves silvestres.
A partir desse registro, protocolos nacionais e internacionais foram imediatamente acionados. O Ministério da Agricultura decretou emergência zoossanitária, determinou o abate sanitário das aves, realizou a desinfecção da granja e iniciou o vazio sanitário de 28 dias. Paralelamente, o país passou a investigar dezenas de notificações de síndromes respiratórias e nervosas em aves domésticas e silvestres em diversos estados, incluindo Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará, Tocantins, Bahia, Pará e Mato Grosso do Sul. Em território sul-mato-grossense, todas as suspeitas registradas ao longo do ano foram descartadas após análises laboratoriais.
No comércio exterior, os reflexos foram imediatos. China, União Europeia e outros grandes compradores suspenderam total ou parcialmente as importações de carne de frango brasileira, afetando diretamente estados exportadores como Mato Grosso do Sul, onde frigoríficos tiveram habilitações suspensas. A interrupção dos embarques gerou preocupação no setor produtivo e levantou debates sobre impactos no mercado interno, com risco de aumento da oferta e pressão sobre preços.
Enquanto isso, estados e entidades intensificaram ações de vigilância, prevenção e educação sanitária. Fóruns técnicos, reforço da biossegurança nas granjas, capacitações no campo e monitoramento de criações de subsistência passaram a integrar a rotina da avicultura em 2025, com atuação conjunta de órgãos estaduais, associações de produtores e instituições de pesquisa.
Com o cumprimento dos protocolos e a ausência de novos focos em granjas comerciais, o Brasil voltou a se autodeclarar livre da gripe aviária ainda no primeiro semestre, iniciando negociações para a retomada gradual das exportações. África do Sul, Cingapura, Argentina, Egito e Emirados Árabes Unidos foram os primeiros, em seguida a União Europeia. A China, nosso principal parceiro econômico, só restaleceu a importação de frango no início de novembro.

