O ano também foi marcado por um dos episódios mais sensíveis da área da saúde em Campo Grande: a greve de funcionários da Santa Casa de Campo Grande, motivada pelo atraso no pagamento do 13º salário. A paralisação evidenciou a fragilidade financeira da principal unidade hospitalar do Estado e gerou impactos diretos no atendimento à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).
A paralisação e o alerta dos trabalhadores
O impasse veio a público quando funcionários da Santa Casa anunciaram paralisação das atividades diante do atraso no pagamento do benefício trabalhista. A mobilização envolveu profissionais da enfermagem e outros setores essenciais, elevando a preocupação com a manutenção dos atendimentos e a segurança dos pacientes.
A greve escancarou o desgaste entre trabalhadores e a administração hospitalar, além de reacender questionamentos sobre a sustentabilidade financeira da instituição, que historicamente enfrenta dificuldades para manter o equilíbrio das contas.
Crise financeira e pagamento parcelado
Antes mesmo da paralisação, a direção da Santa Casa havia informado que a crise financeira obrigou o hospital a parcelar o pagamento do 13º salário em três vezes, decisão que foi recebida com preocupação pelos funcionários e sindicatos.
A medida reforçou o clima de instabilidade e foi apontada pelos trabalhadores como insuficiente diante do custo de vida e das obrigações financeiras pessoais, servindo como estopim para a paralisação.
Prefeitura se posiciona e nega atraso em repasses
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Segundo a prefeita, Adriane Lopes (PP), a estimativa é cautelosa, pois leva em consideração o início da Reforma Tributária
Em meio à crise, a Prefeitura de Campo Grande se manifestou oficialmente, afirmando que todos os repasses mensais à Santa Casa estavam em dia, afastando a responsabilidade direta do Executivo municipal pelo atraso no pagamento aos funcionários.
A declaração deslocou o foco do debate para a gestão interna do hospital e para o modelo de financiamento da saúde pública, ampliando a discussão sobre transparência, contratos e a necessidade de revisão estrutural do sistema.
Acordo e fim da greve
Após dias de tensão e negociação, um acordo entre a direção da Santa Casa e os profissionais da enfermagem colocou fim à paralisação. A retomada das atividades foi anunciada como forma de preservar o atendimento à população e garantir avanços no pagamento dos direitos trabalhistas.
Embora a greve tenha sido encerrada, o episódio deixou claro que os problemas financeiros da instituição permanecem como um desafio permanente para gestores e autoridades públicas.
• Saiba mais sobre a greve na Santa Casa
Um retrato da saúde pública em 2025
A greve na Santa Casa se consolidou como um dos episódios mais emblemáticos da saúde em 2025, por reunir três elementos críticos: trabalhadores sobrecarregados, estrutura hospitalar pressionada e um modelo de financiamento que segue em debate.
Ao longo do ano, o Capital News acompanhou cada etapa da crise, dando voz aos funcionários, às autoridades e à gestão hospitalar. A retrospectiva deixa uma constatação clara: garantir o funcionamento pleno da maior unidade hospitalar do Estado é uma questão que vai além de repasses pontuais — exige planejamento, diálogo permanente e soluções estruturais para assegurar dignidade aos profissionais e atendimento seguro à população.

