Secretários municipais se reuniram nesta sexta-feira (16) para esclarecer sobre os desdobramentos da “invasão” por pessoas ligadas ao ex-prefeito Alcides Bernal (PP) no fim da tarde de ontem, e devem entrar com medidas judiciais. O secretário de Administração, Valtemir Alves Brito, classificou como invasão a chegada de Bernal, ex-secretários e assessores, e afirmou que servidores foram constrangidos, ofendidos, e alguns foram revistados. Valtemir, ainda destacou que algumas salas foram subtraídas, documentos retirados e processos que não estão mais na prefeitura. Segundo ele, o prefeito Gilmar Olarte (PP) ainda está em Brasília.
“O ex-prefeito impôs uma situação ilegal para invadir a prefeitura”, afirmou Valtemir que relatou que alguns servidores municipais foram revistados, de forma ilegal. O Bernal cometeu um ilícito muito grave. Destaco que o prefeito Gilmar Olarte está tranquilo e pediu para que eu reafirmasse que ele está para governar”, ressaltou Brito. O titular da Semad enfatizou que a ordem judicial iria ser cumprida.
O superintendente de Comunicação, Edson Godoy, classificou como truculenta a forma como o ex-prefeito Alcides Bernal entrou na prefeitura, acompanhado por ex-secretários, vereadores e assessores. “Alguns secretários não estão aqui, porque estão fazendo um levantamento sobre todos os danos causados em cada secretaria, que será divulgado na semana que vem. O que aconteceu aqui é caso de polícia”, disse Godoy.
O titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e Agronegócio (Sedesc), Edil Albuquerque, relatou os momentos que vivenciou ontem. Segundo ele, por volta das 17h30, atendia o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Chico Maia, quando ouviu gritos, socos nas divisórias da secretaria. “As pessoas batiam nas paredes, dava socos, e a maioria dos servidores da Sedesc são mulheres, e elas se assustaram”, afirmou Edil.
“Com 64 anos de idade eu nunca vi um desmando, uma falta de consideração. Como é pode explicar uma pessoa que já estava reconduzida ao cargo, proceder dessa maneira?”, observou o secretário. “Não havia necessidade de trocar fechaduras, de roubar documentos, a minha mesa estava uma bagunça. Sumiram documentos em cima da minha mesa”, afirmou Edil Albuquerque que garantiu que devem entrar com medidas judiciais.
Para o secretário municipal de Saúde, Jamal Salem, considerou como “ato de terrorismo”. Salem contou que ontem 20 guardas municipais, sendo oito uniformizados e 12 sem fardamento, e que eram liderados pela chefe de gabinete do ex-secretário de Saúde, Ivandro Fonseca.

Jamal Salem, da Sesau, repudiou atitudade na quinta-feira
Foto: Deurico/Capital News
Jamal afirmou que a ex-assessora agia com muita agressividade, batendo nas portas e exigindo que todos saíssem das salas. “Deixaram algumas servidoras presas em uma sala anexa por mais de meia hora, e depois chegou o Ivandro, encontrei com ele, cheguei de cumprimentá-lo, e disse que estava à disposição”, afirmou Salem.
O secretário afirmou que alguns dos guardas municipais fizeram revistas em servidoras da Sesau, e que cerca de 50 sindicâncias foram subtraídos da secretaria. “Além de notas, e um celular meu que estava em uma gaveta”, disse Jamal, que registrou boletim de ocorrência.
Jamal contou, ainda, que saíram da secretaria, e que após a revogação da liminar que reconduzia Bernal ao cargo, ele retornou ao prédio, por volta da meia-noite, acompanhado pelo chefe de gabinete e mais duas pessoas. De acordo com o secretário, eles foram impedidos de entrar na secretaria, e sofreram ameaças. “O guarda municipal disse que foi uma ordem do coronel Jonys Cabrera, e estranhei isso. Mais tarde, soubemos que havia várias pessoas lá dentro e que levaram muitos documentos”, disse.
“Eu nunca assisti uma cena tão horrorosa como essa. Não precisa fazer tudo isso, xingar as pessoas, agir dessa forma para tomar posse, pelo contrário, aqui é a casa do povo, a secretaria não pertence ao Jamal, mas sim ao povo”, pontuou Jamal. “Eu quero aproveitar e manifestar o meu repúdio contra o Bernal, prefeito cassado, e ao ex-secretário Ivandro por essas medidas desumanas e desrespeitosas ao ser humano, e ei responsabilizo esses dois pelo desrespeito e agressão contra os servidores, são funcionários de carreira. São atos de terrorismo”, desabafou Jamal.
IMTI: Alessandro Menezes, diretor-presidente do Instituto Municipal de Tecnologia de Informação (IMTI), comparou a situação política à era medieval. “Parece que voltamos à época medieval onde se toma o poder à força”, observou Menezes.
“O que mais me preocupa no IMTI é que a invasão não foi de forma abrupta, porque quem trabalhava lá na gestão do Bernal ligou para alguns servidores, fazendo ameaças e convocando para uma reunião de emergência”, contou Alessandro. Segundo ele, alguns atenderam ao pedido e abriram o sistema para que tivessem acesso às informações, o que é quebra de sigilo”, afirmou o diretor-presidente.

Alessandro Menezes, diretor-presidente do IMTI, comparou situação política atual à era medieval
Foto: Deurico/Capital News
Alessandro, assim como os demais secretários, registrou boletim de ocorrência. “Todas as informações da prefeitura, desde nomes de alunos à arrecadação passa pelo IMTI. São informações de todos vocês, de todos os contribuintes do município. Era só esperar ele assumir para ter acesso a essas informações”, explicou Menezes.
O diretor do IMTI afirmou que tem uma conversa pelo whatsapp de um servidor com o ex-diretor, Cleiton Barbosa da Silva, para não agir daquela forma, porém, Cleiton teria dito que “estava a mando do prefeito Alcides Bernal”, e ameaçava uma demissão em massa.
Segundo Edson Godoy, o resultado do levantamento das secretarias será divulgado na semana que vem.
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