Luciana Nassar e Wagner Guimarães/ALEMS

Pedro Kemp criticou candidatura de Flávio Bolsonaro e Zé Teixeira repreendeu a do atual presidente Lula
O segundo turno da eleição presidencial, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), provocou divergências entre deputados estaduais durante sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Pedro Kemp (PT) e Zé Teixeira (PL) ocuparam a tribuna para defender posições distintas sobre os rumos do país.
As manifestações abordaram temas como corrupção, democracia, direitos trabalhistas, políticas sociais, segurança pública, economia e liberdade religiosa. Coronel David (PL), Gleice Jane (PT), Coronel Ivan (PL) e Renato Câmara (MDB) também participaram do debate.
Kemp critica candidatura de Flávio Bolsonaro
Ao se manifestar sobre o segundo turno, Pedro Kemp (PT) classificou o momento como decisivo para o futuro do país e fez críticas à trajetória política de Flávio Bolsonaro. O deputado mencionou suspeitas e denúncias que, segundo ele, devem ser consideradas pelos eleitores na escolha do próximo presidente da República.
“Eu acho que a nação brasileira está diante de uma decisão importante para a história do país”, afirmou Kemp. O parlamentar relacionou a disputa à continuidade de políticas sociais e à manutenção dos direitos trabalhistas.
“Está em jogo a continuidade do governo que implantou no Brasil política voltada a beneficiar o trabalhador. Estão em jogo os direitos trabalhistas”, declarou.
Kemp também questionou o posicionamento do candidato do PL sobre a jornada de trabalho e as propostas para o país. Para o deputado, a eleição envolve a definição de prioridades para a população, especialmente para os trabalhadores e os beneficiários de programas sociais.
Deputados contestam argumentos de Kemp
Durante a fala de Kemp, Coronel David (PL) contestou os argumentos apresentados pelo petista e afirmou que as críticas ao candidato do PL não seriam suficientes para convencer o eleitorado.
“Costumo dizer que só ganha eleição com voto na urna e tudo caminha para que Flávio seja o próximo presidente”, afirmou David, que também questionou as acusações dirigidas ao candidato.
Gleice Jane (PT), por sua vez, abordou questões relacionadas à intolerância religiosa, à violência e a ataques contra instituições de ensino. A deputada mencionou episódios envolvendo terreiros, casas de reza indígenas e igrejas, além de defender uma reflexão sobre os efeitos da polarização política e ideológica.
“Que momento é esse que estamos vivendo, em que pessoas deixaram de ter direito à sua liberdade religiosa?”, questionou.
Em resposta às manifestações, Kemp reiterou a defesa da democracia e das políticas sociais. O parlamentar também rebateu acusações contra o presidente Lula e questionou os resultados de governos anteriores, citando programas de acesso à educação e de assistência à população.
Zé Teixeira defende Flávio Bolsonaro
Na sequência, Zé Teixeira (PL) contestou as declarações de Kemp e criticou o que considerou acusações generalizadas contra apoiadores do PL. O deputado defendeu o direito de escolha política e religiosa dos eleitores e apresentou críticas à gestão federal, especialmente nas áreas de economia, infraestrutura e segurança pública.
“Como cristão, apoio ele”, declarou Teixeira ao justificar seu posicionamento favorável a Flávio Bolsonaro.
O parlamentar também questionou a interpretação apresentada por Kemp sobre os processos judiciais envolvendo Lula e mencionou denúncias e investigações relacionadas a governos petistas. Ao tratar da economia, criticou a carga tributária, os gastos públicos e a situação dos serviços e das obras de infraestrutura.
Para Teixeira, o país precisa avançar na segurança pública e criar condições para que a população trabalhe e produza. O deputado citou o combate à criminalidade e defendeu medidas mais rigorosas contra organizações criminosas.
“Povo brasileiro não entende que, para trabalhar e produzir, tem que ter paz de espírito”, afirmou.
Durante a manifestação, Coronel Ivan declarou apoio ao posicionamento de Teixeira e elogiou a atuação do parlamentar no debate.
Segurança pública e direitos sociais
Gleice Jane (PT) voltou a participar da discussão durante a fala de Teixeira, contrapondo argumentos sobre segurança pública e conflitos envolvendo povos indígenas. A deputada destacou diferenças nas condições de proteção e responsabilização de indígenas e não indígenas e defendeu que os episódios de violência sejam analisados considerando o contexto em que ocorrem.
A parlamentar também criticou propostas de reforma administrativa e medidas que, em sua avaliação, podem ampliar a privatização e a terceirização de serviços públicos. Segundo ela, essas mudanças podem afetar o Sistema Único de Saúde (SUS) e outras políticas de atendimento à população.
Ao retomar a palavra, Teixeira manteve as críticas ao governo federal e defendeu o fortalecimento da iniciativa privada. O deputado voltou a abordar questões relacionadas à segurança, à situação econômica e à atuação das instituições públicas.
Kemp rebate declarações nas Explicações Pessoais
Nas Explicações Pessoais, Kemp voltou a contestar declarações feitas durante o debate, incluindo a atribuição dos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023 ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O deputado questionou essa afirmação e criticou a apresentação de informações sem contextualização.
Kemp também citou indicadores econômicos e sociais para defender a atuação do governo Lula, mencionando o mercado de trabalho, a renda da população e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, conforme exposto em sua manifestação.
Renato Câmara pede atenção a problemas práticos
Também nas Explicações Pessoais, Renato Câmara (Republicanos )afirmou que, apesar das divergências ideológicas, o debate político precisa contemplar problemas concretos enfrentados pela população, como as filas na saúde e as condições das estradas.
“Vivemos em um mundo democrático. O Brasil tem muitas coisas que não funcionam. Muitos discursos ideológicos, mas precisamos discutir coisas práticas”, declarou.
Renato Câmara também manifestou apoio a Flávio Bolsonaro e incentivou os eleitores favoráveis ao candidato a expressarem suas posições, ressaltando a importância da participação política e do respeito às diferentes ideias.
O debate evidenciou divergências entre os parlamentares sobre os projetos políticos em disputa no segundo turno presidencial. As manifestações na Alems reuniram avaliações distintas sobre o governo federal, as propostas dos candidatos e os desafios econômicos e sociais do país.
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