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Política

Fim da escala 6x1 deve ser debatido sem polarização, afirma Nelsinho Trad

Único médico do trabalho entre os senadores, Nelsinho afirmou que mudanças precisam ser discutidas com responsabilidade

João Gabriel Vilalba
Capital News

Em entrevista à Rádio Cidade, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 não pode mais ser adiada no Congresso Nacional.

O senador defende que o debate seja conduzido de forma técnica, sem polarização política, e com a criação de mecanismos que reduzam os impactos da mudança para micro e pequenos empregadores. Para ele, é possível avançar na proteção à saúde do trabalhador sem transferir integralmente os custos da medida para quem gera empregos.

"Eu sou favorável ao trabalhador. Entre os 81 senadores, sou o único médico do trabalho. Sei o que é um exame admissional, periódico e demissional. Sei o que é insalubridade. Estudei e trabalhei com isso durante toda a minha vida profissional", afirmou o senador em entrevista ao jornalista Rodrigo Nascimento, da Rádio FM Cidade.

Segundo o parlamentar, o trabalho mudou significativamente nas últimas décadas, aumentando a pressão e o desgaste físico e emocional dos profissionais. Por isso, considera legítima a discussão sobre mais tempo para descanso e autocuidado. No entanto, ressalta que a mudança precisa vir acompanhada de medidas que considerem a realidade dos pequenos empreendedores.

"Não podemos resolver um problema criando outro. Se o governo entende que essa é uma política pública importante, também precisa criar mecanismos para apoiar quem gera empregos. Uma alternativa seria reduzir parte da carga tributária daqueles que comprovadamente terão impacto com a mudança", defendeu.

O senador destacou que a proposta já está em debate e que o Congresso tem o dever de enfrentar o tema.

"Essa pauta chegou ao Parlamento e precisa ser discutida. Não podemos empurrar uma discussão tão importante por causa do calendário eleitoral ou de outros eventos. O Parlamento existe justamente para ouvir opiniões divergentes, promover o debate e construir soluções."

Trump e diálogo

Durante a entrevista, Nelsinho Trad também comentou os desafios do Brasil no cenário internacional, especialmente em temas relacionados ao comércio exterior, terras raras e à regulamentação das big techs. Para ele, o país deve priorizar o diálogo diplomático e a ampliação de mercados.

"O Brasil precisa conversar com todos os parceiros internacionais. Divergências existem, mas é na mesa de negociação que se constroem soluções. O diálogo sempre será o melhor caminho."

O parlamentar também defendeu a ampliação das relações comerciais com a União Europeia e com os países da EFTA — Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — como estratégia para fortalecer a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional.

A Representação Brasileira no Parlasul vota nesta terça-feira (9) o relatório do senador Nelsinho Trad sobre o acordo Mercosul-EFTA, que pode ampliar oportunidades comerciais para o Brasil e para Mato Grosso do Sul, especialmente em setores ligados à celulose, tecnologia, inovação e saúde.

Eleições de 2026

Questionado sobre o cenário político de Mato Grosso do Sul e a pré-candidatura de seu irmão, Fábio Trad, ao Governo do Estado por outro campo político, Nelsinho afirmou que divergências partidárias não devem interferir nas relações familiares.

"Uma palavra continuará guiando minhas decisões: coerência. Sempre atuei no mesmo campo político e não pretendo mudar de posição por conveniência eleitoral. Ao mesmo tempo, política não pode destruir relações familiares. Podemos pensar diferente, votar diferente e seguir caminhos diferentes sem transformar isso em rompimento ou inimizade."

Para o senador, o respeito às diferenças é um valor que precisa ser preservado tanto na política quanto na convivência familiar.

"Aprendi dentro de casa que a união da família é algo que deve ser mantido. É esse exemplo que devemos transmitir à sociedade: respeito, diálogo e capacidade de conviver com as divergências."

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