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Política

Projeto sobre internação de dependentes químicos tem votação adiada na Câmara

CCJ pediu vista da proposta defendida por André Salineiro, que cita aumento da insegurança em bairros da Capital

João Gabriel Vilalba
Capital News

Após receber diversas reclamações sobre a insegurança em regiões de Campo Grande, o vereador André Salineiro (PL) demonstrou preocupação com o aumento do número de dependentes químicos vivendo nas ruas e com o surgimento de "cracolândias" na Capital.

Por isso, o parlamentar vem buscando apoio na Câmara Municipal para acelerar a votação de um projeto de lei que estabelece diretrizes para o tratamento e a internação voluntária e involuntária de usuários de drogas em Campo Grande.

Salineiro tentou colocar a proposta em votação nesta terça-feira (9), mas não obteve sucesso porque a Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final (CCJ) pediu vista do projeto, a fim de analisar melhor o texto.

A proposta cria regras para ampliar o acesso ao tratamento, fortalecer a atuação da rede pública de saúde e permitir, nos casos previstos pela legislação federal, a internação involuntária de dependentes químicos que estejam em situação de grave vulnerabilidade e não consigam aderir espontaneamente ao tratamento.

Segundo Salineiro, a situação tem se agravado em diferentes regiões da Capital, especialmente na área central, onde comerciantes, moradores e famílias convivem diariamente com cenas de consumo de drogas, degradação urbana e aumento da sensação de insegurança.

"Campo Grande está assistindo ao crescimento de áreas tomadas pelo consumo de drogas. Quem sofre não é apenas o dependente químico. Sofrem as famílias que perderam o controle da situação, os comerciantes que veem seus negócios sendo prejudicados e os moradores que convivem diariamente com esse problema. Não podemos fingir que isso é normal", afirmou o vereador.

Salineiro destaca que o projeto não cria uma política de recolhimento forçado nem flexibiliza as garantias previstas na legislação federal. A internação involuntária somente poderá ocorrer mediante avaliação e autorização médica, quando outras alternativas terapêuticas se mostrarem insuficientes, observando todos os requisitos legais.

"O objetivo não é punir ninguém. É oferecer tratamento para pessoas que muitas vezes já perderam completamente a capacidade de buscar ajuda por conta própria. Estamos falando de uma questão de saúde pública, de dignidade humana e também de proteção às famílias", explicou.

Entre os pontos previstos estão o atendimento por equipes multidisciplinares, a elaboração de um plano individual de tratamento, a articulação entre saúde e assistência social e o acompanhamento da reinserção social e econômica dos pacientes.

O texto também prevê a comunicação aos órgãos fiscalizadores, garantindo transparência e respeito aos direitos dos internados.

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