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Eleições 2026

Kassio Nunes Marques manda retirar pesquisa eleitoral sobre Flávio Bolsonaro

PL alegou que questionário da AtlasIntel criou narrativa negativa contra o pré-candidato

João Gabriel Vilalba
Capital News

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a retirada de uma pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel que apontava queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Com a decisão, o instituto não poderá manter os dados da pesquisa em seus canais oficiais.

Segundo apuração do Portal G1, o levantamento ganhou repercussão após o vazamento de um áudio atribuído ao senador, no qual ele teria solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Na avaliação de Kassio Nunes Marques, há indícios de que o questionário possa ter induzido os entrevistados, comprometendo a metodologia da pesquisa e contaminando as respostas.

A decisão individual do ministro deverá ser submetida ao plenário do TSE na sessão desta terça-feira (9). A suspensão da pesquisa atendeu a um pedido do Partido Liberal.

O partido alegou ao tribunal que o questionário do instituto foi estruturado de forma a induzir respostas negativas sobre Flávio Bolsonaro, criando uma narrativa acusatória.

Segundo a legenda, das 49 perguntas aplicadas aos entrevistados, oito tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas em sequência, influenciando a percepção dos participantes em vez de apenas medir suas opiniões.

O instituto entrevistou 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

O PL sustentou que houve uma progressão temática nas perguntas, passando por temas como:

• medo eleitoral;
• comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro;
• fraude financeira;
• Banco Master;
• Daniel Vorcaro;
• conversas vazadas;
• possível envolvimento direto;
• impacto sobre o voto;
• enfraquecimento da candidatura;
• retirada da candidatura.

Segundo o partido, o áudio utilizado como referência não poderia embasar a pesquisa porque sua autenticidade não teria sido comprovada.

“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, argumentou o ministro.

Perguntas questionadas pelo PL

Com base no pedido de impugnação apresentado ao TSE, estão entre as perguntas consideradas indutoras e prejudiciais à imagem de Flávio Bolsonaro:

Pergunta 9: "Entre Lula e Flávio Bolsonaro, em quem você confia mais para administrar cada uma das seguintes áreas de governo?"

Pergunta 10: "Pensando no futuro do país no contexto das eleições presidenciais deste ano, qual dos seguintes resultados possíveis lhe causa mais medo ou preocupação?"

Pergunta 11: "Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?"

Pergunta 12: "Você ficou sabendo do áudio e das mensagens vazadas de supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master?"

Pergunta 13: "Você ouviu o áudio em questão?"

O PL argumentou que a sequência das perguntas foi "arquitetada para produzir efeitos de priming, framing e ancoragem", transformando a pesquisa em um instrumento de "propaganda negativa".

Por isso, o partido pediu que os resultados dessas questões específicas não fossem validados nem divulgados, sob a alegação de que elas comprometem o ambiente cognitivo do entrevistado antes da medição da intenção de voto.

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