Não podemos ignorar o comportamento lamentável de um grupo de parlamentares que se apresentaram impedindo os trabalhos do Senado Federal: um, acorrentado à mesa do plenário e outros, com as bocas lacradas com esparadrapo. A cena parecia o palco de um manicômio, com os doidos varridos fazendo sua estreia em um espetáculo de insanidade.
O senador Magno Malta (PL-ES), com cara de paspalhão inebriado, deveria respeitar a liturgia da Casa, o mandato recebido e trabalhar em prol da sociedade, em vez de se acorrentar como forma de protesto contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por que o senador Malta não se acorrenta para protestar pela falta de pautas substantivas relativas às áreas de saúde, educação, segurança, habitação, emprego, combate à fome e à miséria, saneamento básico, onde ainda existem cidades com o esgoto correndo a céu aberto, transição energética, ecologia, Amazônia, queimadas, desmatamento e povos originários. Os parlamentares foram eleitos para trabalhar pelo país e não para glorificar quem quer que seja ou criticar as determinações da Suprema Corte.
Se o senador tivesse hombridade, deveria cumprir a promessa de que só deixaria o protesto "morto ou com uma resposta concreta".
Pois bem, o pastor de araque e que vive das benesses públicas não teve atendido o seu descabido protesto. Por que, então, para amenizar a sua quixotesca ameaça, não renunciou ao cargo? Político sem palavra não merece credibilidade. Deveria atuar em circo.
O parlamentar deve respeitar a liturgia do cargo, comportar-se como pessoa civilizada dentro e fora do Parlamento, bem como honrar o mandato que lhe foi conferido. Atitudes anárquicas de políticos em exercício de mandato deveriam ser punida, no mínimo, com a cassação de mandato.
O país vive em pleno Estado Democrático de Direito, com as instituições funcionando normalmente, apesar de algumas pragas tentarem resistir aos repelentes democráticos, com demonstrações surrealistas de acorrentamento e bocas lacradas.
Por que o senador Magno Malta e outros vendilhões da República, que usam boné, camisa, bandeira com símbolo e cores americanas e batem continência à bandeira dos EUA, não fazem as malas e se mandam para fazer companhia ao "bananinha" Eduardo Bolsonaro, lesa-pátria, vira-lata ordinário que só teve coragem de latir em solo americano?
Independentemente de quem seja o presidente da República, desde que tenha sido eleito de forma democrática, o respeito à democracia e ao resultado das urnas é uma obrigação de todos.
*Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC
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