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Opinião Sábado, 30 de Agosto de 2025, 13:24 - A | A

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Opinião

Servidor valorizado: o alicerce de um Estado forte

Por Antonio Tuccilio*

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O serviço público brasileiro vive um momento de tensão e transformação. O avanço acelerado da automação por inteligência artificial e robótica, somado às sucessivas propostas de reformas constitucionais, como a PEC 32 e a PEC 66, cria um cenário em que estabilidade, autonomia e capacidade técnica dos servidores estão em jogo. Essas mudanças, quando conduzidas sem diálogo ou visão de longo prazo, podem comprometer o funcionamento do Estado e a qualidade do atendimento ao cidadão.

Diante desse cenário, é fundamental relembrar por que o serviço público foi historicamente construído para garantir continuidade administrativa e proteção contra interesses políticos temporários. É o corpo técnico concursado que sustenta políticas públicas em áreas como saúde, educação, segurança e administração, assegurando que projetos estratégicos avancem independentemente de mudanças de governo. Sem essa base sólida, programas essenciais se perdem, o conhecimento acumulado se dilui e a confiança da sociedade no Estado se fragiliza.

Ao mesmo tempo, a modernização tecnológica é inevitável — e pode ser positiva, se conduzida com responsabilidade. A inteligência artificial, a automação e o avanço da robótica têm potencial para aumentar a eficiência, otimizar processos e liberar servidores para funções mais estratégicas. No entanto, sem diretrizes claras e políticas de proteção, essas ferramentas também podem gerar substituições indiscriminadas, perda de capital humano e enfraquecimento de áreas essenciais. A tecnologia deve ser incorporada como aliada do servidor, não como pretexto para cortes cegos.

Nesse processo de transformação, as entidades filiadas à CNSP têm papel crucial. Em cada estado e setor, elas atuam diretamente na formulação de propostas, no diálogo com autoridades e na mobilização das categorias, buscando medidas que garantam condições dignas de trabalho, reconhecimento e oportunidades de capacitação. É nesse trabalho de base, feito de forma articulada e constante, que se constrói a valorização real do servidor — aquela que vai além do discurso e se traduz em resultados concretos.

Valorizar o servidor público não é apenas reconhecer sua importância: é proteger a espinha dorsal do Estado. É garantir que a máquina pública funcione de forma estável, técnica e comprometida com o interesse coletivo. A CNSP segue vigilante, mobilizada e presente em Brasília e em cada estado, defendendo os direitos dos servidores ativos, aposentados e futuros ingressantes. Porque sem servidor valorizado, não há serviço público de qualidade — e sem serviço público de qualidade, não há Estado forte.


*Antonio Tuccilio
Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos

 

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