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Desempenho

Construção e serviços criam 3,5 mil empregos em dois meses em Mato Grosso do Sul

Construção civil e setor de serviços lideraram contratações em julho e agosto; indústria, comércio e agropecuária registraram mais demissões que admissões

Viviane Freitas
Capital News

Deurico/Capital News

Construção civil

Construção civil

Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo de 1.938 empregos com carteira assinada entre julho e agosto de 2026, impulsionado principalmente pelos setores de serviços e construção civil. Juntas, as duas atividades criaram 3.518 postos de trabalho no período, compensando parcialmente as perdas registradas na indústria, no comércio e na agropecuária. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no Observatório do Trabalho de Mato Grosso do Sul, elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Em julho, o estado encerrou o mês com 730 novas vagas formais. A construção civil apresentou o melhor desempenho, com saldo de 1.188 empregos, seguida pelos serviços, responsáveis por 391 postos. Em contrapartida, a indústria registrou redução de 556 vagas, enquanto a agropecuária perdeu 213 empregos e o comércio apresentou saldo negativo de 80 trabalhadores. O resultado melhorou em agosto, quando foram criados 1.208 empregos com carteira assinada. Desta vez, o setor de serviços liderou as contratações, com 1.744 novas vagas, enquanto a construção civil acrescentou 195 postos. Os demais segmentos permaneceram com resultados negativos: indústria (-325), agropecuária (-243) e comércio (-163). Com esse desempenho, Mato Grosso do Sul alcançou 685.345 trabalhadores formalmente empregados.

Segundo o secretário-adjunto da Semadesc, Alex Melotto, a redução de empregos na agropecuária está relacionada ao período de entressafra. Após a colheita do milho safrinha, parte das atividades rurais passa por uma fase de menor demanda por trabalhadores, enquanto os produtores aguardam o fim do vazio sanitário e iniciam os preparativos para o próximo ciclo agrícola. A indústria e o comércio também apresentaram retração nos dois meses analisados, acumulando perdas de 881 e 243 empregos, respectivamente. Conforme avaliação da Semadesc, o comportamento pode estar relacionado à sazonalidade dessas atividades, que costumam apresentar maior movimentação no último trimestre do ano, período marcado pelo aumento da demanda comercial e pelo consumo das famílias.

Entre os municípios, Inocência liderou a geração de empregos em julho, com 923 novas vagas, resultado associado à implantação da fábrica de celulose da Arauco. Chapadão do Sul apareceu na sequência, com 386 postos, seguido por Três Lagoas, com 274, e Aparecida do Taboado, com 156. O desempenho evidencia a participação dos municípios ligados ao chamado Vale da Celulose na movimentação do mercado de trabalho estadual. Em agosto, Três Lagoas assumiu a liderança, com 785 empregos criados, enquanto Chapadão do Sul registrou 307 novas vagas e Aparecida do Taboado somou 142. Campo Grande também apresentou recuperação, passando de um saldo negativo de 140 empregos em julho para a abertura de 435 postos formais no mês seguinte, retornando ao grupo dos dez municípios com melhores resultados.

Apesar do saldo positivo no período, os números mostram diferenças importantes entre os setores econômicos e as regiões do estado. Enquanto a construção civil e os serviços sustentaram a geração de vagas, outras atividades enfrentaram redução no número de trabalhadores. O desempenho dos próximos meses dependerá do ritmo dos investimentos, da retomada das atividades agrícolas e da movimentação do comércio e da indústria no último trimestre de 2026.

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