Mato Grosso do Sul pode se tornar o próximo destino de um grande investimento industrial da Coamo Agroindustrial Cooperativa. A possibilidade foi admitida pelo presidente-executivo da cooperativa, Airton Galinari, durante entrevista ao Região News, em Campo Mourão, no Paraná, onde a empresa constrói sua primeira indústria de etanol de milho.
Ainda não há projeto ou decisão oficial para a instalação de uma unidade em Mato Grosso do Sul. No entanto, o volume de milho produzido no Estado e movimentado pela cooperativa coloca a região em posição estratégica para uma eventual expansão da industrialização.
Na safra 2026/27, a Coamo estima movimentar aproximadamente 4,5 milhões de toneladas de milho. Desse total, cerca de 50% devem ter origem em Mato Grosso do Sul, o equivalente a aproximadamente 2,25 milhões de toneladas.
A concentração de matéria-prima no Estado pode favorecer, no futuro, uma estratégia semelhante à adotada pela cooperativa com a soja: aproximar a industrialização das regiões produtoras, reduzir custos logísticos e agregar valor aos produtos entregues pelos cooperados.
Primeira indústria começa a operar em 2027
Enquanto avalia novas possibilidades, a Coamo concentra esforços na construção da primeira indústria de etanol de milho, em Campo Mourão. O investimento é estimado em aproximadamente R$ 1,7 bilhão, e as obras já ultrapassaram 60% do cronograma. A previsão é iniciar as operações em março de 2027.
A unidade terá capacidade para processar cerca de 1,7 mil toneladas de milho por dia, ou aproximadamente 650 mil toneladas por ano.
O projeto permitirá a produção de etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível em veículos flex, e etanol anidro, destinado principalmente à mistura com a gasolina. A capacidade estimada é de 763,3 mil litros por dia de etanol hidratado ou 723 mil litros diários de etanol anidro, conforme o produto fabricado.
A indústria também produzirá cerca de 510 toneladas de DDGS por dia, farelo com alta concentração de proteínas utilizado na alimentação animal, além de aproximadamente 34 toneladas diárias de óleo de milho.
Com a industrialização, a cooperativa pretende ampliar o valor agregado do milho, transformando o grão em combustível, proteína e óleo em vez de comercializá-lo exclusivamente in natura.
Segundo o gerente Industrial de Etanol de Milho da Coamo, Emerson Abrahão Mansano, o cronograma está dentro do previsto. Atualmente, 94 empresas e aproximadamente 1,1 mil trabalhadores estão envolvidos na construção, que avança nas etapas de bases civis, estruturas metálicas e montagens eletromecânicas.
MS já abriga complexo de soja
A possibilidade de um novo investimento no Estado também encontra precedente na própria trajetória da Coamo. Em novembro de 2019, a cooperativa inaugurou um complexo industrial de processamento de soja às margens da BR-163, na região de Dourados.
O empreendimento recebeu investimento superior a R$ 780 milhões e foi projetado para esmagar 3 mil toneladas de soja por dia, além de produzir farelo e refinar até 720 toneladas diárias de óleo de soja.
A escolha de Dourados levou em consideração justamente o volume de soja recebido pela cooperativa em Mato Grosso do Sul e a vantagem logística de processar o grão próximo às áreas produtoras, em vez de enviá-lo in natura para o Paraná.
Atualmente, entre 30% e 35% da soja movimentada pela Coamo tem origem em Mato Grosso do Sul. No milho, a participação é ainda maior, chegando a aproximadamente 50%.
A diferença ganha dimensão quando comparada à capacidade da nova indústria de Campo Mourão. A planta paranaense poderá processar cerca de 650 mil toneladas de milho por ano, enquanto somente o volume de milho sul-mato-grossense atualmente movimentado pela Coamo supera 2 milhões de toneladas.
Industrialização agrega valor ao milho
Apesar dos números, a instalação de uma indústria em Mato Grosso do Sul não está definida. Um empreendimento desse porte depende de análises relacionadas à oferta de matéria-prima, logística, infraestrutura, energia, mercado, financiamento e retorno econômico.
O cenário, porém, reforça o potencial do Estado dentro da estratégia de verticalização da Coamo. Mato Grosso do Sul possui forte produção de milho de segunda safra e vem ampliando a presença da indústria de bioenergia.
A entrada da cooperativa no etanol de milho representa mais um passo em uma estratégia de industrialização que já envolve cadeias como soja, trigo e café.
No caso do milho, a proposta é transformar parte da produção em etanol, DDGS e óleo, ampliando a participação da cooperativa em diferentes etapas da cadeia produtiva.
Para Mato Grosso do Sul, uma eventual indústria poderia significar maior agregação de valor à produção local, além de reduzir o transporte do milho em grão para outras regiões.
Por enquanto, a prioridade da Coamo é concluir a unidade de Campo Mourão e iniciar a produção em março de 2027. A participação crescente de Mato Grosso do Sul no fornecimento de milho, entretanto, coloca o Estado como uma alternativa estratégica para os próximos ciclos de expansão da cooperativa.
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