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Transplante biológico: como a ciência pode ajudar na qualidade da planta e do solo

Por Alice Bachiega

Da coluna Tecnologia
Artigo de responsabilidade do autor

Testes revelaram uma melhoria de até 30% na produtividade de lavouras

iStock

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No início de 2022, ouvimos com esperança falar nos noticiários sobre um transplante de coração de porco, geneticamente modificado, para um paciente americano em estado terminal. Infelizmente, o paciente não sobreviveu, e faleceu na primeira quinzena de março, mas, para a ciência, o fato de ter sobrevivido cerca de 2 meses com o coração do porco batendo no peito já é uma grande vitória. Esse é só um exemplo do que é capaz a ciência para resolver situações complexas, que muitas vezes parecem sem saída. Já pensou em utilizar o conceito de transplante em plantas também, para tentar recuperar a qualidade do solo? Parece filme de ficção científica? Pasme! É real.

Um estudo realizado pela Embrapa, em parceria com a empresa Revbio, comprovou a possibilidade de alterar a microbiologia da rizosfera e da parte aérea de plantas em solos colapsados, com o uso de microrganismos das plantas de uma área biologicamente mais equilibrada. A técnica, conhecida como transplante biológico, utiliza conceitos da engenharia do microbioma das plantas, e não prejudica o meio ambiente, muito pelo contrário.

Plantas mais saudáveis
Nas culturas em que foram realizados os testes, foi observado um aumento de 10% a 30% de produtividade, inclusive um aumento na qualidade de vida das plantas, como resistência a doenças e pragas. Além disso, o vegetal que recebe o transplante se torna mais produtivo, já que tem uma melhoria no metabolismo, folhas mais verdes e área foliar aumentada.

Pedro Carvalho, pesquisador da Revbio, compara o papel do transplante biológico para o vegetal, com a função do colostro materno para o neném, que tem o objetivo de supri-lo com tudo o que é necessário para o seu desenvolvimento e fortalecimento do seu sistema imunológico. O homem intercede no processo, mas o andamento quem faz é a natureza, utilizando a inteligência da planta para a escolha do que é melhor para o desenvolvimento da sua espécie. Essa melhoria na qualidade das plantas acarreta também em uma redução do uso de defensivos agrícolas, o que significa também uma produção mais sustentável, que utiliza em menores escalas produtos químicos que degradam o meio ambiente.

Como é feito o transplante
Durante o processo, microrganismos são retirados das plantas doadoras e colocados em substratos especialmente preparados. Neste processo, os microrganismos são estabilizados e transformados em um pó solúvel em água, que pode ser inserido na planta por tratamento de sementes ou por pulverização foliar.

Investimento
Para os empresários de plantão, que querem investir na tecnologia, é importante cumprir alguns requisitos. A Revbio, que detém o licenciamento do processo, tem em vista futuras parcerias para tornar o produto comercializável. Enquanto esse dia não chega, é importante que os produtores interessados chequem suas documentações, como CPF e CNPJ, e tomem algumas providências, como limpar o nome, caso esteja sujo, para em breve poder pleitear a oportunidade de utilizar o transplante na sua plantação.

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