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Fronteira do Negócio Domingo, 28 de Junho de 2026, 13:44 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

Receio com futuro leva geração Z a buscar estabilidade na carreira

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

Estudo mostra que 66% dos jovens temem não conseguir um trabalho que ofereça segurança financeira

Os concursos públicos se tornaram uma opção para os jovens que buscam estabilidade financeira. Dados do relatório Next Generation Brasil, do British Council, mostram a avaliação da geração Z, que abrange jovens até 29 anos, sobre o mercado de trabalho. Um total de 66% teme não conseguir um trabalho que ofereça segurança financeira no futuro.

A pesquisa também aponta a insatisfação dessa geração com o mercado atual, quando 66% citam salários abaixo das expectativas e das necessidades básicas; 56% acreditam que as jornadas são excessivas e comprometem o bem-estar e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional; e 31% afirmam insatisfação com o mercado por conta de ambiente hostil, com falta de apoio ou de recursos.

Outros 29% apontam poucas oportunidades de crescimento e desenvolvimento de carreira no mercado de trabalho. A estabilidade financeira aparece como principal prioridade para os jovens brasileiros, sendo que 62% consideram esse fator essencial para felicidade e qualidade de vida.

Jovens buscam concursos públicos

Paralelamente, o Censo dos Concursos Públicos 2025, realizado pelo Qconcursos, revela que a faixa etária entre 25 e 29 anos, que compreende a geração Z, é a mais representativa entre os concurseiros. Essa faixa etária é seguida pelos grupos de 30 a 34 anos e de 35 a 39 anos.

Segundo informações do Censo dos Concursos, houve um crescimento, em comparação com 2024, no número de pessoas entre 25 e 39 anos que buscam aprovação em concursos públicos abertos no Brasil. Isso seria um reflexo de candidatos já inseridos no mercado, mas que buscam estabilidade ou ascensão na carreira pública.

De acordo com o editor-chefe do Qconcursos Folha Dirigida, Gustavo Portella, os jovens, no início da vida profissional, sempre representaram a maior parte de quem estuda para concursos, porém, com a pandemia de Covid-19 e a escassez de trabalho provocada por ela, um novo público chegou ao universo dos concursos previstos no país.

“São profissionais, principalmente em início de carreira ou mais experientes, que se desiludiram com a falsa percepção de segurança que tinham em seus empregos na iniciativa privada e passaram a olhar para o serviço público como possibilidade de estabilidade, bons salários e qualidade de vida”, destaca Portella.

Além disso, ele afirma que “a desilusão com o mundo do trabalho, com muitos jovens entendendo que não encontrarão qualidade de vida e saúde mental na iniciativa privada, fez pessoas que, em tese, não olhavam para concursos começarem a considerar esse caminho”. Com isso, o estudo para concursos ficou mais qualificado, o que torna a disputa mais competitiva e eleva, em geral, as notas de corte.

“Hoje ainda existe pouco vocacionamento à função pública e ao atendimento da população. Isso ocorre em algumas áreas, particularmente nas carreiras policiais e nos tribunais. No geral, os principais atrativos que fazem os jovens buscarem a carreira pública são a estabilidade e a qualidade de vida”, ressalta Portella.

Outro ponto que serve como motivação são os salários do serviço público, em média, superiores aos da iniciativa privada, especialmente em cargos de nível médio e mais operacionais. “Outro fator importante é a possibilidade de mobilidade, mudando de estado, cidade ou local de trabalho, algo que também atrai bastante quem busca uma carreira pública.”

Dicas para jovens que pretendem ingressar nos estudos

A primeira dica é encarar os estudos para os próximos concursos públicos como um trabalho, que demanda organização, cronograma, tempo previamente definido e aproveitamento desse tempo com estudo de qualidade.

“Não importa se a pessoa tem uma hora ou seis horas por dia para estudar; é necessário organizar um cronograma e um planejamento, preferencialmente com professores especialistas em concursos públicos ou pessoas que já passaram pelo processo e hoje são servidores”, aponta Portella.

Além disso, é importante escolher, o mais rápido possível, uma carreira, pois assim é possível delimitar um conjunto de disciplinas e bancas organizadoras que atuam nelas, permitindo que o aluno se especialize. “O especialista em banca, concurso e carreira sempre terá vantagem sobre o generalista, que a cada semana presta uma prova diferente, com disciplinas e estilos distintos de cobrança.”

São passos importantes na organização dos estudos, com esforço e dedicação, ter um bom material de estudos e um bom curso preparatório, tendo como eixo videoaulas, uma apostila e questões de provas anteriores, além da realização constante de simulados para se testar em ambiente semelhante ao da prova.

Diferenciais do setor público

Segundo informações divulgadas na plataforma JusBrasil, entre as vantagens de ocupar uma vaga em um cargo público está a estabilidade financeira, já que, dentro do regime estatutário público, garante-se a estabilidade após três anos de estágio probatório, de modo que, a partir daí, o servidor só pode ser exonerado do cargo em caso de falhas gravíssimas e tendo passado por um processo administrativo completo.

Outra vantagem é a aposentadoria integral. O servidor pode escolher seu nível de contribuição para a aposentadoria futura, passando a parcela a ser descontada diretamente de seus vencimentos. Assim, o trabalhador poderá receber, durante sua aposentadoria, praticamente a mesma renda que recebia quando em atividade, retirados alguns auxílios e benefícios adicionais.

Outro ponto é a jornada de trabalho fixa, sendo rara a necessidade de trabalhar depois do expediente. A não necessidade de experiência prévia é mais uma vantagem. Os cargos públicos têm enorme abrangência, oferecendo chances de crescimento em uma carreira promissora, bastando, na maioria das vagas, passar pelo processo seletivo com sucesso.

Outro diferencial do setor público são os salários e os benefícios acima do que a média do mercado pagaria para a mesma carreira exercida na iniciativa privada.

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