População faz planos, mas distância entre intenção e prática ainda marca o comportamento de autocuidado
O autocuidado aparece como uma das prioridades dos brasileiros, sobretudo entre as mulheres. Uma pesquisa da empresa global de insights do consumidor Toluna aponta que exercícios físicos e mudanças na alimentação figuram como principais metas da população até o final deste ano.
O levantamento mostra que 67% dos brasileiros pretendem intensificar a prática de atividade física. Entre as mulheres, o percentual chega a 71%. Ter uma alimentação de melhor qualidade também é uma prioridade feminina: 67% afirmam que desejam melhorar a dieta, acima da média nacional, de 64%. A perda de peso aparece como objetivo para 49% das brasileiras.
A preocupação com a alimentação e o bem-estar também acompanha o crescimento do interesse por suplementos alimentares e fórmulas manipuladas, utilizados por parte dos consumidores como complemento à rotina de saúde. Nesse segmento, empresas como a Medicinal desenvolvem fórmulas voltadas a diferentes necessidades, seguindo orientações de profissionais de saúde.
Por que o autocuidado ganhou espaço?
Fatores como o aumento das doenças crônicas, as mudanças no perfil populacional e a preocupação com a qualidade de vida estimulam a adoção de hábitos mais saudáveis.
Ao mesmo tempo, o país registra crescimento nos casos de diabetes tipo 2, hipertensão arterial e obesidade, condições associadas à alimentação inadequada, sedentarismo e outros aspectos ligados ao estilo de vida.
Segundo dados do Vigitel 2025, a proporção de adultos com diagnóstico de diabetes no Brasil mais que dobrou de 2006 para 2024. O índice subiu de 5,5% para 12,9% no período.
O autocuidado é apontado como uma prática complementar às políticas públicas de saúde, já que hábitos individuais podem contribuir para a redução de fatores de risco associados a diversas condições.
Mudança de hábitos ainda enfrenta barreiras
Embora a conscientização sobre a importância de uma rotina saudável tenha aumentado, transformar a intenção em prática continua sendo um desafio. A adoção de hábitos preventivos ainda depende de fatores como constância, planejamento e percepção de risco.
Um estudo da Worldpanel by Numerator revela que o Brasil lidera a América Latina na penetração de analgésicos e aponta que 45% dos brasileiros são classificados como health passives, grupo com menor envolvimento em medidas preventivas. A pesquisa divide os consumidores em três categorias, de acordo com a relação com a saúde: os health actives mantêm uma rotina voltada a hábitos saudáveis; os health moderates adotam algumas práticas de cuidado; os health passives apresentam menor adesão a estratégias de prevenção.
No Brasil, o índice de health passives supera a média latino-americana, de 30%. O resultado indica que uma parcela da população ainda apresenta menor adesão a práticas preventivas e de acompanhamento contínuo da saúde. A construção de novos hábitos depende de mudanças graduais e de estratégias que favoreçam a continuidade dessas práticas.
Para tal, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta manter uma alimentação adequada, praticar atividades físicas, cuidar do sono, acompanhar a saúde mental e evitar o consumo de álcool, cigarro e outras drogas.
Alimentação saudável amplia interesse por suplementos
Além do controle do peso, a alimentação passou a ser associada a outros aspectos do bem-estar, como saúde intestinal e suporte ao funcionamento do organismo. Entre as tendências para 2026 está a incorporação de ingredientes bioativos em produtos consumidos no dia a dia. Presentes naturalmente em alimentos e plantas, são compostos associados à regulação de processos do organismo, como o funcionamento intestinal, a resposta imunológica e o metabolismo.
Fazem parte desse grupo: fibras, probióticos, polifenóis, vitaminas, minerais e extratos vegetais. Esses componentes podem ser encontrados em várias categorias de produtos, como bebidas funcionais, alimentos enriquecidos e suplementos.
Os adaptógenos também estão em alta. A procura pelos benefícios da maca peruana cresceu entre consumidores interessados em alimentos ligados à disposição, fertilidade e libido. Originária da região dos Andes, a maca peruana tem compostos bioativos como macamidas, macaenos, glucosinolatos, esteróis, flavonoides e polissacarídeos. Além disso, o vegetal é composto por nutrientes como fibras, vitamina C, ferro e zinco. Esses nutrientes fazem parte das características associadas à planta em estudos sobre seu potencial como alimento funcional e adaptógeno.
A espécie se consolidou no segmento de suplementos alimentares por suas associações com o bem-estar, principalmente em estudos que investigam possíveis relações com sintomas da menopausa, fertilidade e libido feminina.



