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Fronteira do Negócio Domingo, 16 de Agosto de 2026, 14:43 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

Autocuidado deve ganhar maior espaço na vida do brasileiro

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

População faz planos, mas distância entre intenção e prática ainda marca o comportamento de autocuidado

O autocuidado aparece como uma das prioridades dos brasileiros, sobretudo entre as mulheres. Uma pesquisa da empresa global de insights do consumidor Toluna aponta que exercícios físicos e mudanças na alimentação figuram como principais metas da população até o final deste ano.

O levantamento mostra que 67% dos brasileiros pretendem intensificar a prática de atividade física. Entre as mulheres, o percentual chega a 71%. Ter uma alimentação de melhor qualidade também é uma prioridade feminina: 67% afirmam que desejam melhorar a dieta, acima da média nacional, de 64%. A perda de peso aparece como objetivo para 49% das brasileiras.

A preocupação com a alimentação e o bem-estar também acompanha o crescimento do interesse por suplementos alimentares e fórmulas manipuladas, utilizados por parte dos consumidores como complemento à rotina de saúde. Nesse segmento, empresas como a Medicinal desenvolvem fórmulas voltadas a diferentes necessidades, seguindo orientações de profissionais de saúde.

Por que o autocuidado ganhou espaço?

Fatores como o aumento das doenças crônicas, as mudanças no perfil populacional e a preocupação com a qualidade de vida estimulam a adoção de hábitos mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, o país registra crescimento nos casos de diabetes tipo 2, hipertensão arterial e obesidade, condições associadas à alimentação inadequada, sedentarismo e outros aspectos ligados ao estilo de vida.

Segundo dados do Vigitel 2025, a proporção de adultos com diagnóstico de diabetes no Brasil mais que dobrou de 2006 para 2024. O índice subiu de 5,5% para 12,9% no período.

O autocuidado é apontado como uma prática complementar às políticas públicas de saúde, já que hábitos individuais podem contribuir para a redução de fatores de risco associados a diversas condições.

Mudança de hábitos ainda enfrenta barreiras

Embora a conscientização sobre a importância de uma rotina saudável tenha aumentado, transformar a intenção em prática continua sendo um desafio. A adoção de hábitos preventivos ainda depende de fatores como constância, planejamento e percepção de risco.

Um estudo da Worldpanel by Numerator revela que o Brasil lidera a América Latina na penetração de analgésicos e aponta que 45% dos brasileiros são classificados como health passives, grupo com menor envolvimento em medidas preventivas. A pesquisa divide os consumidores em três categorias, de acordo com a relação com a saúde: os health actives mantêm uma rotina voltada a hábitos saudáveis; os health moderates adotam algumas práticas de cuidado; os health passives apresentam menor adesão a estratégias de prevenção.

No Brasil, o índice de health passives supera a média latino-americana, de 30%. O resultado indica que uma parcela da população ainda apresenta menor adesão a práticas preventivas e de acompanhamento contínuo da saúde. A construção de novos hábitos depende de mudanças graduais e de estratégias que favoreçam a continuidade dessas práticas.

Para tal, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta manter uma alimentação adequada, praticar atividades físicas, cuidar do sono, acompanhar a saúde mental e evitar o consumo de álcool, cigarro e outras drogas.

Alimentação saudável amplia interesse por suplementos

Além do controle do peso, a alimentação passou a ser associada a outros aspectos do bem-estar, como saúde intestinal e suporte ao funcionamento do organismo. Entre as tendências para 2026 está a incorporação de ingredientes bioativos em produtos consumidos no dia a dia. Presentes naturalmente em alimentos e plantas, são compostos associados à regulação de processos do organismo, como o funcionamento intestinal, a resposta imunológica e o metabolismo.

Fazem parte desse grupo: fibras, probióticos, polifenóis, vitaminas, minerais e extratos vegetais. Esses componentes podem ser encontrados em várias categorias de produtos, como bebidas funcionais, alimentos enriquecidos e suplementos.

Os adaptógenos também estão em alta. A procura pelos benefícios da maca peruana cresceu entre consumidores interessados em alimentos ligados à disposição, fertilidade e libido. Originária da região dos Andes, a maca peruana tem compostos bioativos como macamidas, macaenos, glucosinolatos, esteróis, flavonoides e polissacarídeos. Além disso, o vegetal é composto por nutrientes como fibras, vitamina C, ferro e zinco. Esses nutrientes fazem parte das características associadas à planta em estudos sobre seu potencial como alimento funcional e adaptógeno.

A espécie se consolidou no segmento de suplementos alimentares por suas associações com o bem-estar, principalmente em estudos que investigam possíveis relações com sintomas da menopausa, fertilidade e libido feminina.

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