Sobreposição dos sintomas entre hemorroida e câncer colorretal exige avaliação médica para diagnóstico correto
Cerca de 50% das pessoas com mais de 50 anos sofrem com hemorroida. Só no Brasil, a cada ano, aproximadamente 25 mil pacientes são operados por causa da condição no Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Hemorroidas são estruturas formadas por vasos sanguíneos, localizadas na parte interna do canal anal ou ao redor do ânus, como define a Sociedade Brasileira de Coloproctologia. A doença hemorroidária ocorre quando essas estruturas, que podem ser visualizadas por meio de imagem por ressonância magnética, inflamam, aumentam de tamanho ou apresentam sintomas.
Devido à sobreposição dos sintomas entre hemorroida e câncer colorretal, a orientação é realizar uma avaliação médica adequada para que se tenha o diagnóstico correto. Isso inclui exames físico e de sangue oculto nas fezes.
Há casos em que também pode ser necessária a realização do exame de colonoscopia com biópsia, procedimento que permite a visualização do interior do cólon e do reto, facilitando a detecção de pólipos ou tumores.
O câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum no Brasil. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que são diagnosticados cerca de 45.630 novos casos a cada ano.
Alerta para doenças do intestino
Existem dois tipos principais de hemorróidas: as internas, que se formam dentro do reto e geralmente não são visíveis, e as externas, que surgem sob a pele ao redor do ânus, sendo mais propensas à inflamação e à formação de coágulos, a chamada trombose hemorroidária, como informam os órgãos de saúde.
Entre os sintomas da hemorroida estão coceira ou irritação na região anal; dor e desconforto, notável principalmente durante ou após as evacuações; sangramento sem dor, sensação de inchaço ou protuberâncias no ânus, que podem ser palpáveis e sensíveis ao toque.
O sangramento é um dos sinais mais frequentes na doença hemorroidária. O sangue geralmente se apresenta como pingos de sangue vivo e vermelho-claro, observados no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário após a evacuação.
Esse sangramento anal exige avaliação médica para descartar condições mais sérias. A cor do sangue é um indicativo importante: sangue vermelho-vivo sugere sangramento próximo ao ânus, enquanto sangue escuro ou com coágulos pode indicar uma origem mais alta no trato gastrointestinal, o que é um sinal de alerta para outras patologias.
Embora os sintomas de hemorroida sejam comuns, alguns sinais exigem atenção imediata, pois podem indicar problemas mais sérios, como o câncer colorretal, como alertam os órgãos de saúde. Entre eles estão sangramento anal abundante ou com coágulos grandes; alteração no padrão intestinal; fezes escuras ou pretas, indicando sangramento mais alto no trato digestivo; perda de peso inexplicável; fadiga e fraqueza constantes; histórico familiar de câncer colorretal; idade superior a 50 anos, mesmo sem histórico familiar.
Caroços devem ser avaliados
Em alguns casos de doença hemorroidária, pode ocorrer a formação de um coágulo de sangue dentro da hemorroida, levando a uma condição chamada trombose hemorroidária. Isso causa dor intensa e súbita, além de um caroço rígido e sensível ao toque.
A presença de um nódulo ou caroço na região anal, sobretudo se for doloroso e inchado, é um sinal comum de hemorroida externa inflamada ou de hemorroida interna prolapsada, ou seja, que sai do ânus. Esse inchaço é decorrente de dilatação e inflamação das veias.
“Alterações como nódulos, inchaços, bolinhas e até pequenas protuberâncias perto do ânus são muito comuns, mas nem tudo é hemorroida. O diagnóstico depende de uma avaliação médica, e é preciso estar atento para não postergar diagnósticos importantes”, destaca a proctologista Clarisse Casali.
Por meio de exames, o médico pode diferenciar a hemorroida de outras condições anais que apresentam sintomas semelhantes, como fissura anal, fístula anal, abscesso anal e pólipos retais ou câncer colorretal.
Vida saudável
A coloproctologista Beatriz Azevedo lembra alguns fatores que predispõem a doença hemorroidária, como constipação; hábitos de evacuação inadequada, como ficar muito tempo sentado no vaso sanitário e usar grande quantidade de papel higiênico; e gravidez.
“Algumas medidas preventivas são fundamentais para manter a saúde, como adotar um estilo de vida ativo, já que o exercício regular ajuda a reduzir o risco de câncer e pode ajudar a evitar constipação, um fator de risco para hemorroidas; alimentação rica em fibras; e hidratação adequada”, afirma o cirurgião do aparelho digestivo, Marcel Autran César Machado.

