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Fronteira do Negócio Sábado, 11 de Julho de 2026, 13:44 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

Sintomas comuns podem levar a diagnóstico tardio

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

Mais de 40% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão, mama ou colorretal relataram sintomas inespecíficos

Muitas vezes, sintomas comuns e aparentemente sem gravidade podem, na verdade, representar os primeiros sinais de doenças importantes, incluindo alguns tipos de câncer em estágios avançados. Por isso, é fundamental estar atento às mudanças persistentes no corpo e não ignorar sintomas que parecem “simples”, especialmente quando eles duram semanas ou meses ou passam a interferir na rotina.

Um estudo publicado recentemente pelo Observatório Brasileiro de Oncologia (OBO), iniciativa ligada à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), acompanhou cerca de cinco mil pacientes recém-diagnosticados com câncer.

O trabalho, chamado “A Odisseia Diagnóstica”, mostrou que 42% dos pacientes com câncer de pulmão, mama ou colorretal em estágio avançado relataram sintomas inespecíficos — como fadiga persistente, perda de peso não intencional e dores intermitentes — por um período médio de aproximadamente sete meses antes de serem encaminhados para avaliação especializada.

Entre os sinais e sintomas que merecem atenção estão:

• perda de peso inexplicada;
• dores persistentes;
• presença de caroços ou nódulos no corpo, especialmente nas mamas, pescoço e axilas;
• alterações na pele, como manchas, feridas que não cicatrizam ou mudanças em pintas;
• sangramentos anormais;
• cansaço excessivo e persistente;
• febre prolongada ou infecções recorrentes;
• tosse persistente;
• alterações intestinais ou urinárias;
• dificuldade para engolir;
• rouquidão persistente.

Embora esses sintomas possam estar relacionados a doenças benignas, a persistência deles deve motivar uma avaliação médica.

Quase 80 mil casos de câncer de mama

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 73 mil novos casos por ano no Brasil no triênio mais recente.

O principal sinal de alerta é o aparecimento de um nódulo endurecido, geralmente indolor, na mama ou na região das axilas. Entretanto, outros sintomas também podem ocorrer, como:

• alterações na pele da mama, com aspecto avermelhado ou semelhante à “casca de laranja”;
• retração do mamilo;
• saída espontânea de secreção pelo mamilo;
• mudança no formato ou tamanho da mama;
• presença de caroços nas axilas.

A recomendação é manter acompanhamento médico regular e realizar os exames indicados conforme a faixa etária e os fatores de risco individuais. A mamografia é o principal exame para rastreamento do câncer de mama e tem papel fundamental na detecção precoce da doença. Além disso, o acompanhamento ginecológico periódico também é importante para prevenção e rastreamento de outros tumores, como o câncer do colo do útero.

Diagnóstico precoce garante taxa de cura superior a 90%

O câncer colorretal, que acomete o cólon e o reto, está entre os tipos mais comuns no Brasil. Segundo dados do INCA, são estimados mais de 45 mil novos casos por ano.

Quando identificado precocemente, as chances de cura podem ultrapassar 90%, especialmente nos tumores localizados e tratados nas fases iniciais.
Os sintomas do câncer colorretal podem incluir:

• dor abdominal persistente;
• alteração do hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre;
• sensação de evacuação incompleta;
• presença de sangue nas fezes;
• anemia sem causa aparente;
• perda de peso involuntária;
• fadiga.

O rastreamento é fundamental e geralmente inclui exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia. Atualmente, muitas diretrizes internacionais recomendam iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas de risco habitual, embora a indicação possa variar conforme histórico familiar e fatores de risco

Câncer de pulmão pode evoluir silenciosamente

O câncer de pulmão frequentemente apresenta poucos sintomas nos estágios iniciais, o que contribui para diagnósticos tardios.

Entre os sinais mais comuns da doença avançada estão:

• tosse persistente;
• falta de ar;
• dor no peito;
• rouquidão;
• perda de peso;
• fadiga intensa;
• tosse com sangue.

O principal fator de risco para o câncer de pulmão continua sendo o tabagismo, responsável pela maior parte dos casos da doença.

Para indivíduos de alto risco, especialmente fumantes e ex-fumantes com carga tabágica elevada, a tomografia computadorizada de baixa dose pode ser indicada como método de rastreamento, conforme avaliação médica.

Exames ajudam na detecção precoce de diferentes tipos de câncer

Além da mamografia, da colonoscopia, e da tomografia de pulmão outros exames podem auxiliar na detecção precoce de alguns tumores.

No câncer de próstata, o rastreamento pode incluir a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) associada ao exame de toque retal, sempre com decisão individualizada entre médico e paciente, considerando idade, histórico familiar e riscos envolvidos.

Já no caso do câncer de fígado, não existe rastreamento populacional para pessoas sem fatores de risco. Entretanto, indivíduos com cirrose hepática, hepatites virais crônicas ou outras doenças hepáticas podem necessitar de acompanhamento periódico com ultrassonografia abdominal e, em alguns casos, dosagem de alfa-fetoproteína.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, manter consultas médicas periódicas e realizar exames preventivos conforme orientação profissional são medidas importantes para aumentar as chances de diagnóstico precoce.

Detectar o câncer em fases iniciais pode ampliar significativamente as possibilidades de cura, permitir tratamentos menos agressivos e melhorar a qualidade de vida durante o tratamento.

De acordo com o Ministério da Saúde, atrasos no diagnóstico e no início do tratamento estão associados ao aumento do número de tumores identificados em estágios avançados.

“Diagnósticos tardios podem estar relacionados à falta de informação, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e baixa adesão aos exames preventivos”, afirma o cirurgião oncológico e presidente do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Ricardo Antunes.

Avanço na detecção do câncer

Nos últimos anos, pesquisas têm avaliado exames de sangue capazes de detectar sinais de diferentes tipos de câncer antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Um dos estudos mais conhecidos nessa área é o “Pathfinder”, que investigou o uso do teste Galleri, desenvolvido pela empresa norte-americana Grail. O exame busca fragmentos de DNA tumoral circulante no sangue, conhecidos como ctDNA, com o objetivo de identificar sinais associados a múltiplos tipos de câncer.

Os resultados apresentados em congressos científicos internacionais mostraram que o teste foi capaz de detectar diversos tumores, incluindo alguns sem programas tradicionais de rastreamento, como câncer de ovário, pâncreas e vias biliares.

Além disso, em muitos casos, o exame conseguiu sugerir corretamente a provável origem do tumor, o que pode facilitar a investigação diagnóstica.

Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que esse tipo de teste ainda está em fase de validação clínica e não substitui os métodos tradicionais de rastreamento recomendados atualmente, como mamografia, colonoscopia e exames ginecológicos preventivos.

Pesquisas maiores seguem em andamento para avaliar o impacto real desses exames na redução da mortalidade por câncer e na detecção precoce da doença em larga escala.

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