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Quase metade dos candidatos do Enem não tem computador em casa para acompanhar aulas online

Por Débora Ramos

Da coluna Educação e Carreira
Artigo de responsabilidade do autor

Estudantes preferem realizar o exame apenas em 2021, para que todos tenham a oportunidade de se preparar

Divulgação

ColunaEducaçãoECarreira

Um levantamento conduzido pela Casa Fluminense, organização que estuda a vida urbana nas periferias, constatou que 2,3 milhões de candidatos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não possuem computador em casa. O número equivale a quase metade do número total de participantes da prova e foi obtido a partir da análise do perfil de participantes do Enem de 2018 – os mais atuais disponíveis.


O estudo ainda mostra que a maioria desses estudantes frequenta escolas públicas e vive em estados do Norte e do Nordeste do país. O estado com maior incidência de casos é o Maranhão, com 67,6% dos alunos sem computador em casa. Em seguida aparecem o Pará, com 66,5%, e o Amapá, com 66%. Acre (62,9%), Amazonas (61,4%) e Piauí (60,5%) também integram a lista.


"A gente tem um cenário de alunos que precisa compartilhar o seu quarto, o seu ambiente. [Eles] Não têm um ambiente silencioso para estudar, estão fazendo leituras e atividades escolares através de celulares, com toda a limitação que isso impõe, e, muitas vezes, têm que dividir seu horário do dia com atividades profissionais, com cuidados com família, filhos e outras atividades necessárias para a sobrevivência, que ficam ainda mais desafiadores neste ambiente de isolamento social", explicou a antropóloga Yasmim Monteiro, da Casa Fluminense.


No último mês, a décima edição da pesquisa TIC Educação já havia alertado que 39% dos alunos de escolas públicas localizadas nas regiões urbanas não possuem computador ou tablet em casa, sendo que o índice entre os estudantes das escolas particulares é de 9%.


Com a dificuldade de acessar os conteúdos via celular e, muitas vezes, sem acesso à internet para conseguir saber o que estudar para o Enem, grande parte dos candidatos de baixa renda teme não conseguir vaga em universidades públicas, caso o calendário seja mantido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Por meio das redes sociais e de organizações estudantis, o Ministério da Educação (MEC) vem sendo cobrado desde o anúncio da abertura das inscrições.


Após uma série de pedidos para que o exame fosse adiado, o órgão realizou uma enquete online para a escolha do período em que o Enem 2020 deverá ser realizado. As opções eram em 6 e 13 de dezembro deste ano, com Enem digital em 10 e 17 de janeiro de 2021, Enem impresso em 10 e 17 de janeiro de 2021, Enem digital em 24 e 31 de janeiro e  2 e 9 de maio de 2021 e Enem digital em 16 e 23 de maio. Para 49,7% dos estudantes, o melhor período para a aplicação da prova é em maio. As demais registraram 15% e 35,3% dos votos dos estudantes, respectivamente.


No entanto, de acordo com o presidente do Inep, Alexandre Lopes, a data escolhida pela votação não é oficial – e poderá, inclusive, não ser nenhuma das três mencionadas na enquete –, mas será levada em conta no processo de decisão. “Mais de 80% pediram para fazer a prova no ano que vem. É uma opinião importante, mas não é a única fonte de decisão”, afirma ele.

 

 

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