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Congelamento de óvulos: tendência segura para mulheres que desejam ser mães mais velhas

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida explica como funciona e quem pode fazer

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ColunaBem-Estar

A concepção da maternidade tem mudado ao longo dos anos, e isso se configura não apenas na responsabilidade com os filhos, mas também nas escolhas das mulheres, algo que contribuiu (e muito) para que elas tivessem cada vez mais a oportunidade de ser mães mais tarde.

 

Essa escolha, no entanto, traz consigo uma pequena dificuldade física: a idade fértil das mulheres costuma ter um prazo de validade: 35 anos. Isso não significa, entretanto, que mulheres acima dessa idade não possam ter filhos de forma natural, mas implica em possíveis dificuldades durante a gestação, tanto para a mãe, quanto para o feto. Dessa forma, a ciência e a tecnologia atuam como facilitadores de mulheres que escolhem a maternidade mais velhas: o congelamento de óvulos.

 

De acordo com Hitomi Nakagawa, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a possibilidade de congelar os óvulos e ter, portanto, uma gestação após os 35 anos reduz a probabilidade de doenças para o feto. “Muitas pessoas vêm com o conceito de estarem congelando ‘microbebês’, mas tem de se considerar que o ser humano é relativamente ineficiente em termos reprodutivos com baixa taxa de gestação por ciclo, naturalmente. À medida que ocorre o avanço na faixa etária, a quantidade de óvulos se reduz cada vez mais rapidamente, ao passo que a qualidade dos mesmos fica proporcionalmente comprometida, e, portanto, há necessidade de se congelar cada vez mais óvulos com o avanço da idade para se ter um bebê nascido”, explica.

Como funciona?
Na prática, o congelamento de óvulos e a fertilização deles é menos conhecida do que a chamada “inseminação artificial”, feita apenas com os espermatozoides. No caso da fertilização, a partir do óvulo congelado, o processo é um pouco diferente.


“O congelamento de óvulos é realizado mais comumente a partir do período menstrual do ciclo selecionado. Nele, estimulamos os ovários com hormônios semelhantes aos produzidos no cérebro para que vários óvulos maturem. A estimulação ovariana propicia o desenvolvimento de vários folículos e, com isso, vários óvulos maduros podem ser coletados em um único ciclo menstrual”, explica Nakagawa. “Geralmente, o processo dura cerca de dez a 14 dias, a partir do início da menstruação. Antes do início e durante o uso dos hormônios, a mulher é submetida a ultrassonografias seriadas para avaliação do crescimento dos folículos e ajustes de doses dos medicamentos. A coleta dos óvulos é realizada sob sedação e, após algumas horas, já ocorre a alta para casa. Os óvulos coletados são analisados quanto à maturidade e congelados”, completa.


Ainda que a opção seja, sim, mais segura para o feto nos casos em que a mãe já apresenta uma idade mais avançada, Nakagawa explica que ela não é mais eficiente que a gestação natural durante a idade fértil. “A técnica é eficiente e segura em comparação aos procedimentos com óvulos frescos, também em relação à prole e evolução da gestação. Mas não deve ser considerada uma garantia de bebê em casa.”

Quais são as vantagens?
A técnica de congelamento de óvulos pode trazer uma série de facilidades que vão além de apenas escolher ser mãe mais tarde. “Dentre as vantagens, sem dúvida, a redução da ansiedade, produtividade nas atividades laborais e investimentos em outros aspectos da vida (inclusive, lazer), evitando a sensação do "pêndulo na cabeça” e chance de ter bebês com sua própria carga genética”, salienta Nakagawa.


O procedimento é também aconselhado a mulheres que passaram por alguns tumores malignos (câncer de mama, pelve e linfomas), assim como para condições mais comuns, tais como endometriose e menopausa precoce. No caso de escolhas mais sociais, o congelamento de óvulos é indicado, tanto para mulheres, que já passaram da idade fértil, quanto para quem deseja fazer um procedimento de mudança de sexo.

 

O procedimento deve ser feito com pessoas da área, com auxílio de profissionais formados em uma faculdade de enfermagem e médicos especializados em reprodução humana assistida.

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