Em 2025, a seca severa no sul de Mato Grosso do Sul marcou a safra de soja e levou produtores rurais a solicitar decreto de emergência em diversos municípios da região. A falta prolongada de chuvas entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 comprometeu o desenvolvimento das lavouras, com registros de perdas que chegaram a 70% em áreas mais afetadas, segundo técnicos e entidades do setor.
Ao longo do período, levantamentos da Famasul, Aprosoja-MS e do Projeto SIGA-MS apontaram que cerca de metade da área plantada no Estado enfrentou estresse hídrico, com impacto mais intenso no sul, onde municípios como Dourados, Itaporã, Douradina e Glória de Dourados apresentaram forte queda de produtividade. Em algumas lavouras, o rendimento ficou abaixo de 30 sacas por hectare, bem distante da média histórica.
Com a chegada irregular de chuvas no fim do ciclo e avanço da colheita ao longo de fevereiro e março, os danos já estavam consolidados, sobretudo nas áreas plantadas mais cedo. Porém, o cenário ganhou novos contornos em abril. Dados do Siga-MS mostraram que 98,3% da área cultivada havia sido colhida, totalizando cerca de 4,4 milhões de hectares. A produtividade média, inicialmente estimada em 51,7 sacas por hectare, foi revisada para 54,4 sacas após amostragens de campo, elevando a projeção de produção para 14,6 milhões de toneladas. O volume representou crescimento de 11,4% em relação à safra anterior, mesmo com os impactos climáticos registrados no início do ciclo.
A área plantada alcançou 4,5 milhões de hectares, alta de 6,8% na comparação anual. Apesar de 51% das lavouras terem sido afetadas por estresse hídrico, sobretudo nas áreas semeadas entre setembro e outubro, os resultados finais consolidaram uma recuperação parcial ao longo da safra. O desempenho de 2025 ficou marcado pela combinação de perdas regionais expressivas e uma produção estadual acima das expectativas iniciais.

