A senadora Simone Tebet (MDB), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), defendeu o Congresso Nacional em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, e cobrou o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por não apresentar reformas necessárias ao país.
"É hora de ter equilíbrio e moderação. Se um lado não está tendo, é hora do outro ter. A resposta do Congresso não tem que ser virulenta, contrária à agenda do governo. É dizer: quais são os projetos? Fala-se tanto que o Congresso atrapalha o país próprio governo, mas cadê as reformas tão relevantes que o Brasil precisa, que toda semana diz que vai enviar e não se chega?", disse.
"Sei que a equipe econômica tem essas propostas prontas, mas o presidente precisa autorizar o envio delas. Então, na verdade, o Congresso Nacional tem feito muito pelo país", completou. "É preciso que os chefes de poderes, todos eles, sentem numa mesa com diálogo, com moderação, ter a consciência de que a crise internacional está atingindo em cheio o Brasil".
O presidente voltou a falar na segunda-feira sobre as manifestações marcadas para o dia 15 de março. Os atos são tidos como contrários ao Congresso e ao Judiciário, embora isso tenha sido negado pelo presidente, que afirmou semana passadas serem apenas movimentos "pró-Brasil".
A uma plateia de apoiadores em Miami, Bolsonaro declarou que, se até o dia 15 de março o Congresso desistisse da proposta de manter o controle sobre R$ 15 bilhões do Orçamento, as manifestações marcadas para aquele dia poderiam nem acontecer, ou ao menos não terem a mesma força. Para Tebet, já estamos diante de uma "crise institucional" e que Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara dos Deputados e dos Senadores, respectivamente, estão lidando bem com a situação.
Mesmo com as críticas ao Executivo, Tebet declarou que vê como "boa" a equipe escolhida por Bolsonaro para seu governo. "[O presidente] Tem um excelente ministro da Economia, o ministro Sergio Moro dá uma credibilidade para o governo porque tem uma história de combate à corrupção. Eu tenho que reconhecer o trabalho da ministra Tereza Cristina, da Agricultura, do ministro da Saúde [Luiz Henrique Mandetta] que conheço há muitos anos, enfim, ele tem uma excelente equipe".
Para a senadora, talvez seja necessário fazer uma "diferença entre governo Bolsonaro e o próprio presidente" e que a frustração não foi na área técnica, mas, sim, pela ideologia.


