O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o melhor caminho para conter o desemprego é a negociação entre empresas e sindicatos. Lula disse, no entanto, que o governo só entrará na negociação quando uma das partes pedir e as duas concordarem. "Quando eu era dirigente sindical, nunca aceitei interferência. Queria liberdade para negociar. E nessa discussão, nenhum dos dois vai ganhar 100% do que pediu, mas vai ganhar alguma coisa", disse.
Questionado sobre as declarações do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de que o governo estuda uma proposta de seguro ao emprego, admitindo a possibilidade de redução da jornada de trabalho e utilização de recursos do FGTS, Lula respondeu: "fico chateado quando as pessoas começam a falar pela imprensa antes de me falar. Fico chateado porque pode não acontecer". Segundo Lula, não é momento de ficar desesperado. "Cada um acha que tem uma solução no bolso do colete", disse.
EUA
Lula afirmou que não tem o direito de ficar frustrado com o pacote do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Segundo ele, o importante é que o pacote dos EUA tem duas partes: salvar o sistema financeiro e o setor produtivo. E quem está reclamando das medidas, observou Lula, é exatamente o setor financeiro. "Tenho muita esperança que o Obama possa resolver os problemas dos Estados Unidos junto com o Congresso. Sou muito solidário a ele e tenho rezado mais pelo Obama que por mim mesmo porque os Estados Unidos têm uma situação gravíssima e Obama é a esperança de resolver esses problemas", disse Lula, após almoço de recepção ao presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba, no Itamaraty.
O presidente avaliou também que, se as medidas anunciadas por Obama conseguirem parar a crise, "já está de bom tamanho", pois só assim será possível retomar o crescimento. "Estou convencido de que o Obama vai dar conta do recado", completou.
Lula voltou a criticar medidas protecionistas que vêm sendo adotadas para enfrentar a crise financeira internacional. Segundo ele, é um equívoco as pessoas quererem voltar a praticar o protecionismo de antes. "Se continuar a ter protecionismo, a crise só tende a se agravar", disse.
Segundo avaliação do presidente, o protecionismo só vai atrapalhar a economia a voltar a crescer. "Os países ricos passaram os últimos 30 anos pregando o livre comércio. O peixe morre pela boca. Eu quero que esses países cumpram o que sempre defenderam", disse.
Questionado se pretende tratar dessa questão diretamente com Obama, Lula disse que ainda não sabe se encontrará o presidente norte-americano por ocasião de sua viagem a Nova York, para participar de um debate sobre biocombustíveis. O evento acontece em março. (Fonte: Agênica Estado)
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