Deputados estaduais em apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) cobraram seriedade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) quanto ao processo de assentamentos no Estado e reivindicaram que o órgão apresente o número de famílias assentadas em 2008, já que, conforme o deputado estadual Amarildo Cruz (PT), nenhuma das 4.360 famílias previstas para serem assentadas em 2008 receberam terras.
“A questão que se deve levantar é se o Incra está cumprindo com o seu papel”, questionou Cruz, que também sugeriu que o órgão apresente os números da reforma agrária no Estado. Durante a sessão, foi levantada ainda a possibilidade de se realizar uma audiência pública sobre o assunto.
Já o deputado Pedro Kemp, também do PT e que durante todo o dia de ontem passou em negociação com os trabalhadores rurais, a fim de cumprir decisão judicial de desocupação da sede do Incra, disse hoje que as reivindicações do movimento são justas e lamentou a falta de apoio do governo para alojar as famílias.
Um dos impasses para desocupar a sede do órgão era a falta de local para o deslocamento dos manifestantes, que querem permanecer em Campo Grande até a chegada do representante nacional do Incra a Mato Grosso do Sul, marcada para amanhã (12/11).
O diretor nacional do MST, José de Oliveira, lamentou as dificuldades na negociação com órgão. "É uma situação muito triste e complicada ver que, após uma jornada de reuniões internas, nada se pôde avançar", disse Oliveira. "É impossível negociar com o atual superintendente do Incra aqui", completou, referindo-se a Flodoaldo Alves de Alencar, que está à frente do órgão.

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