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Legislativo Sexta-feira, 21 de Novembro de 2025, 17:10 - A | A

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Tarifaço

Senador Nelsinho Trad destaca recuo tarifário dos EUA e cobra solução para outros setores prejudicados

Parlamentar destaca vitória parcial para o agro, mas alerta que setores como madeira e pescados seguem penalizados

Anderson Ramos Lino
Capital News

Divulgação \ Assessoria

Nelsinho Trad celebra avanço, mas afirma que missão diplomática continuará até que todos os segmentos sejam contemplados

Nelsinho Trad celebra avanço, mas afirma que missão diplomática continuará até que todos os segmentos sejam contemplados

O anúncio do governo dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% sobre uma série de produtos agrícolas brasileiros abriu caminho para um alívio imediato ao agronegócio nacional — mas está longe de encerrar a crise comercial entre os dois países. A avaliação é do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão Temporária Externa Brasil–EUA (CTEUA), que liderou a articulação política responsável por sensibilizar congressistas norte-americanos sobre os impactos das sobretaxas.

A decisão, oficializada por ordem executiva do presidente Donald Trump, abrange produtos como café, chá, frutas tropicais, sucos, cacau, especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina. O documento menciona que a medida foi tomada após conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual ambos concordaram em iniciar negociações para tratar das questões listadas no Decreto Executivo 14.323.

Para Nelsinho Trad, a medida representa “um avanço significativo, mas ainda parcial”. “Agora, é garantir que nenhum setor fique para trás”, afirmou o senador, destacando que a crise tarifária segue afetando segmentos como madeira, pescados e produtos industrializados.

Missão a Washington e articulação política

Desde o início das sobretaxas, Nelsinho Trad conduziu uma ofensiva diplomática e parlamentar, levando uma missão oficial ao Capitólio para apresentar estudos sobre os efeitos econômicos negativos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

“O impacto não é abstrato. Ele aparece no produtor que adia investimentos, no frigorífico que reduz a compra e na cooperativa que perde contratos importantes”, reforçou o senador.

Durante as reuniões, parlamentares americanos demonstraram preocupação específica com o setor madeireiro — especialmente aquele que importa madeira do Paraná e de Santa Catarina. O senador Martin Heinrich (Novo México) alertou que a tarifa elevou o custo da habitação nos EUA, agravando a crise imobiliária local.

Setor madeireiro segue como ponto crítico

Mesmo após o recuo tarifário para parte do agro brasileiro, produtos de madeira continuam sujeitos à sobretaxa. Trad assegura que este será um dos temas prioritários na pauta bilateral.

“Ainda há produtos estratégicos, como madeira, pescados e industrializados, que seguem penalizados. Essa agenda não está encerrada”, afirmou.

Especialistas avaliam que o recuo faz parte de uma revisão mais ampla da política comercial americana, pressionada internamente por fatores como inflação e custo de vida.

Alívio imediato a setores agrícolas

Com o fim da taxa de 40%, itens que somam cerca de US$ 5 bilhões anuais em exportações recuperam competitividade. Em 2024, os EUA responderam por 12% das vendas externas do Brasil, o equivalente a US$ 40,3 bilhões.

O café foi um dos produtos mais afetados, com retração superior a 50% nas compras americanas desde agosto. “O produtor vinha segurando estoque porque não conseguia fechar preço com uma sobretaxa tão alta. Essa retirada muda o cenário”, avaliou Trad.

Também voltam a competir com maior equilíbrio frutas como manga, melão, mamão, abacaxi, além de tomate sazonal, castanhas, coco, açaí e sucos cítricos.

Recuos anteriores e continuidade das negociações

Antes do anúncio mais recente, os EUA já haviam:

• retirado tarifas sobre exportações brasileiras de celulose e ferro-níquel;
• aprovado no Senado americano resolução para encerrar a emergência nacional que permitia sobretaxas de até 50%;
• suspendido a tarifa global de 10% aplicada a diversos produtos agrícolas.

A CTEUA apresentará seu relatório final até 6 de dezembro, com propostas para consolidar um canal permanente de diálogo entre os Parlamentos e avançar nas pendências, especialmente a reversão das tarifas ainda vigentes para madeira e outros segmentos industriais.

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