Ao longo do tempo, o Brasil passou por profundas transformações territoriais, econômicas e demográficas. Nesse processo, Mato Grosso do Sul e os demais estados do Centro-Oeste também vivenciaram mudanças que influenciaram a identidade e a cultura regional.
A reflexão sobre essas transformações foi apresentada na tarde desta quarta-feira (10) pelo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Marcio Pochmann, durante audiência pública realizada no plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
“Estamos vivendo uma marcha para o Oeste”, resumiu.
A audiência pública, intitulada “Retratos de uma Nação em Movimento: identidade brasileira e a singularidade de Mato Grosso do Sul sob a lupa de 90 anos do IBGE”, foi proposta pelo deputado estadual Roberto Hashioka (Republicanos), atendendo solicitação do Instituto.
O encontro reuniu autoridades, pesquisadores, representantes de instituições públicas e membros da sociedade civil para discutir a importância das informações produzidas pelo IBGE na compreensão das transformações do país e no planejamento de políticas públicas.
Para Hashioka, o IBGE exerce papel fundamental no planejamento das ações necessárias para o desenvolvimento do Brasil e de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a contribuição do Instituto ao longo de nove décadas justifica o tema da audiência, que relaciona identidade e singularidade ao trabalho de levantamento e organização de informações.
“Essa audiência é uma oportunidade de percebermos como as informações produzidas pelo Instituto ao longo de nove décadas ajudam a revelar as transformações da sociedade brasileira, suas diversidades regionais e os traços que compõem nossa identidade nacional”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que a discussão também permite compreender os elementos que tornam Mato Grosso do Sul um estado singular, “marcado pela riqueza cultural, diversidade de seu povo, força econômica e posição estratégica no cenário nacional”.
Hashioka ressaltou ainda a relevância do IBGE, consolidada em 90 anos de história como referência na produção de dados estatísticos, geográficos, cartográficos e socioeconômicos.
“Ao longo de sua história, tornou-se uma referência nacional na geração de informações que ajudam a compreender o Brasil e a orientar o seu desenvolvimento”, destacou.
Protagonismo do interior
De 2025 a 2050, período correspondente ao segundo quarto do século XXI, o Brasil vive — e tende a continuar vivendo — uma nova fase de reorganização populacional e econômica, marcada pelo crescimento de municípios do interior e pela perda de dinamismo das áreas litorâneas, conforme análise apresentada por Pochmann.
O presidente do IBGE observou que, durante cerca de cinco séculos, o país concentrou sua população e suas atividades econômicas próximas ao litoral do Oceano Atlântico. Agora, porém, passa por uma transformação que pode reposicionar o Centro-Oeste e o Norte como regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional.
Ao analisar os dados do Censo Demográfico de 2022, Pochmann destacou que as cidades que mais ampliam suas populações estão localizadas no interior e possuem, em geral, entre 100 mil e 500 mil habitantes.
Em contrapartida, grandes centros urbanos e capitais das regiões litorâneas enfrentam cenários de estagnação ou até mesmo de redução populacional.
Para o presidente do IBGE, esse movimento está associado ao fortalecimento de municípios ligados à produção primária exportadora, especialmente nos setores da agropecuária e da mineração.
Marcha para o Oeste e integração sul-americana
Pochmann definiu essa mudança como uma espécie de “marcha para o Oeste brasileiro”, em referência ao avanço do dinamismo econômico e demográfico em direção ao interior do país.
Nesse cenário, Mato Grosso do Sul surge como um dos protagonistas dessa reconfiguração, especialmente por sua posição estratégica na integração sul-americana e pela consolidação da Rota Bioceânica, que amplia as conexões comerciais com países vizinhos e com mercados voltados ao Oceano Pacífico.
“Eu até ousaria dizer que estamos vivendo uma espécie de marcha para o Oeste brasileiro e, com a consolidação das rotas de integração sul-americana, que viabilizam a saída da produção e também o ingresso de produtos importados através do Pacífico, possivelmente o segundo quarto deste século terá um protagonismo dos estados do Centro-Oeste e do Norte”, projetou.
Autoridades presentes
Além do deputado Roberto Hashioka e de Marcio Pochmann, compuseram a mesa de autoridades o superintendente estadual do IBGE em Mato Grosso do Sul, Mário Alexandre de Pinna Frazeto; o coordenador do Núcleo da Fazenda Pública, Moradia e Direitos Sociais (NUFAMD), Danilo Hamano Silveira Campos; o secretário-executivo de Gestão Estratégica e Municipalismo da Segov-MS, Thaner Castro Nogueira; o gerente de Tecnologia da Informação da Planurb, Estevão Risso Campelo; e a chefe de gabinete da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Juliana Paracampos.
Os participantes também acompanharam a apresentação do Coral da Universidade Aberta da Pessoa Idosa (UnAPI), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que interpretou as músicas Chalana, Tocando em Frente e Trem do Pantanal.
Também foram exibidos vídeos institucionais em homenagem aos 90 anos do IBGE e à contribuição do órgão para o desenvolvimento do país e de Mato Grosso do Sul.
Como forma de agradecimento, o deputado Roberto Hashioka entregou a Marcio Pochmann uma gravura do artista sul-mato-grossense Isaac de Oliveira.
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