Moradores e comerciantes do Bairro Amambaí lotaram a Câmara Municipal de Campo Grande nesta sexta-feira (21) para protestar contra a instalação do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) no antigo prédio da Secretaria de Assistência Social (SAS), ao lado da Escola Municipal José Rodrigues Benfica, na Rua dos Barbosas, próximo à Rua Orfeu Baís.
De acordo com relatos dos moradores, a principal preocupação é o possível aumento da criminalidade na região, que, segundo eles, já enfrenta problemas relacionados à segurança.
Segurando cartazes e aos gritos de “Não ao Centro POP no Bairro Amambaí”, os moradores apresentaram suas preocupações durante a audiência pública e reclamaram que não foram consultados previamente pela Prefeitura de Campo Grande, responsável pela definição do novo local.
O vereador Landmark Rios (PT), que mediou a audiência pública, ouviu os moradores para compreender as demandas da região, principalmente em relação à segurança.
A presidente do Bairro Amambaí, Rosane Neli, afirmou que os moradores já enfrentam dificuldades com a atual localização do Centro POP, na Rua Joel Dibo, e demonstrou preocupação com a transferência para um espaço próximo à escola.
“O Centro Pop hoje está instalado na Joel Dibo. Então, a gente já tem uma experiência péssima do que é ter um Centro Pop no bairro. Só que agora eles querem colocar do lado da escola. Então, isso é uma tragédia anunciada, porque o Centro Pop fecha às 17 horas. Depois que ele fechar, essas pessoas vão ficar circulando no bairro”, disse.
Rosane também destacou a importância histórica do bairro e afirmou que a região concentra muitos moradores idosos.
“Eles estão morando numa prisão, porque eles não podem sair na rua, eles não podem ir no mercado, eles não podem ir na mercearia, porque eles são atacados.”
Ela pediu que a Prefeitura de Campo Grande reavalie o local escolhido para a instalação do equipamento.
Representando os comerciantes, José Vieira afirmou que o Bairro Amambaí enfrenta problemas de segurança há cerca de 20 anos e que, segundo ele, a situação se intensificou no último ano.
“Nós moradores precisaríamos ter sido consultados. A audiência era o que a prefeitura teria que ter feito, convidado o bairro para discutir o nosso direito de ir e vir.”
Ele também lembrou problemas enfrentados pela região ao longo dos anos, incluindo os impactos relacionados à antiga rodoviária.
Representantes da Fecomércio e da Associação Okinawa também se posicionaram contra a instalação do Centro POP no local indicado pela Prefeitura.
O vereador André Salineiro criticou o modelo atual de atendimento do Centro POP e defendeu outras alternativas para pessoas em situação de vulnerabilidade.
“A única ferramenta que temos para amenizar esse problema é o projeto para internação involuntária, a internação compulsória, porque ficarão recebendo acolhimento, tratamento e reinserção no mercado de trabalho”, afirmou.
A proposta mencionada pelo vereador, de sua autoria, tramita na Câmara Municipal.
O vereador Wilson Lands, que secretariou a audiência pública, cobrou a presença da vice-prefeita e secretária de Assistência Social, Camilla Nascimento, no debate.
“Quem ouve mais erra menos. Precisamos de uma solução, mas sem prejudicar os moradores, os estudantes”, afirmou, ao lembrar que a região já enfrenta dificuldades relacionadas à segurança.
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