Campo Grande 00:00:00 Segunda-feira, 06 de Julho de 2026


Legislativo Segunda-feira, 06 de Julho de 2026, 15:20 - A | A

Segunda-feira, 06 de Julho de 2026, 15h:20 - A | A

Campo Grande

Intervenção no Consórcio Guaicurus revela dívidas e falhas na gestão do transporte coletivo

Vereadores acompanham trabalhos e apontam possibilidade de caducidade do contrato após conclusão da auditoria

João Gabriel Vilalba
Capital News

Em busca de melhorias no transporte coletivo de Campo Grande, vereadores da Câmara Municipal acompanharam de perto, nesta segunda-feira (6), os trabalhos da intervenção no Consórcio Guaicurus, iniciada em 16 de junho.

Os interventores designados pela Prefeitura apresentaram o cronograma de execução dos serviços e os primeiros levantamentos, que já apontam problemas de gestão, dívidas de uma das empresas do consórcio, frota envelhecida e descumprimento de cláusulas contratuais. As irregularidades já haviam sido apontadas no relatório final da CPI do Transporte Coletivo, instaurada pela Câmara Municipal, que recomendou a intervenção e a possível caducidade do contrato de concessão.

O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto (Papy), destacou a expectativa da população por mudanças efetivas no serviço.

"O campo-grandense tem essa expectativa de mudança na empresa que presta esse serviço. É importante lembrar que o transporte coletivo é um serviço do município. Ao contratar uma empresa, cabe ao poder público fiscalizar. A concessionária precisa servir ao município e ao usuário, e não o contrário", afirmou.

Segundo Papy, a relação entre o município e o consórcio está desgastada em razão de diversas demandas judiciais.

"Eu penso que já não há espaço para a continuidade do Consórcio Guaicurus no modelo atual. A intervenção caminha para uma possível caducidade. Se observarmos outras intervenções em concessões públicas no Brasil, muitas acabam resultando na extinção antecipada do contrato", avaliou.

O presidente da Casa também ressaltou que o trabalho desenvolvido pela CPI fortaleceu as decisões tomadas pela administração municipal.

"O trabalho da CPI impulsiona ações de outras instituições e fortalece decisões difíceis que o município precisa tomar. O Parlamento cumpriu seu papel ao lado da população, promovendo um debate amplo sobre o transporte coletivo", disse.

Intervenção

O relatório técnico final da intervenção deverá ser concluído em até 180 dias, com entrega prevista para dezembro deste ano. O documento trará as conclusões da auditoria, recomendações e uma minuta para subsidiar a decisão administrativa da Prefeitura, prevista para janeiro de 2027.

Durante a reunião na Câmara, o interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que o trabalho conjunto entre os poderes é fundamental para o sucesso da intervenção.

Segundo ele, já foram identificadas falhas na gestão operacional do consórcio.

"O sistema é muito antigo. Isso gera problemas operacionais, aumenta custos, compromete a economicidade e afeta o fluxo interno da empresa", explicou.

Entre os primeiros levantamentos, foi constatada uma dívida de aproximadamente R$ 20 milhões de uma das empresas integrantes do consórcio junto a instituições financeiras e fornecedores, inclusive de combustíveis, situação que impacta diretamente nos custos da operação.

"Após estabilizarmos a prestação do serviço, vamos aprofundar a auditoria contratual e financeira para verificar como esse contrato foi executado ao longo dos anos, identificar eventuais falhas e apresentar as recomendações necessárias para a decisão da prefeita", afirmou o interventor.

Segundo Alexandro, a prioridade inicial foi garantir a continuidade do transporte, tranquilizando passageiros, funcionários e fornecedores. Agora, a intervenção entra em uma fase mais técnica e jurídica.

Ele também confirmou que já foram constatadas deficiências na manutenção da frota.

"Encontramos uma frota envelhecida e identificamos que, em muitos casos, vinha sendo realizada apenas manutenção corretiva, sem a devida manutenção preventiva."

Questionado sobre a possibilidade de caducidade da concessão, o interventor afirmou que ainda é cedo para uma conclusão.

"Essa é uma possibilidade que vem sendo discutida, mas ainda precisamos concluir toda a análise contratual e reunir as provas necessárias antes de qualquer decisão", ponderou.

• Saiba mais sobre: Intervenção no Consórcio Guaicurus

CPI da Câmara

A relatora da CPI do Transporte Coletivo, vereadora Ana Portela, reforçou a responsabilidade da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) na fiscalização do contrato.

"Firmar um novo contrato não basta. É preciso garantir que ele seja cumprido. O cidadão campo-grandense merece um transporte de qualidade, e o poder público deve fiscalizar permanentemente a prestação desse serviço", afirmou.

Segundo a parlamentar, as conclusões da CPI indicam que a permanência do atual consórcio se tornou insustentável.

A comissão, presidida pelo vereador Dr. Lívio, e composta ainda pelos vereadores Junior Coringa, Maicon Nogueira, Luiza Ribeiro e pela relatora Ana Portela, realizou mais de 50 horas de oitivas públicas e analisou documentos técnicos, financeiros e operacionais do sistema.

O relatório final, apresentado em setembro de 2025, recomendou a substituição imediata de 197 ônibus que ultrapassaram o limite de idade previsto em contrato, além da intervenção no Consórcio Guaicurus para garantir o cumprimento das obrigações contratuais. O documento também apontou a caducidade da concessão como uma das medidas possíveis.

• • • • • 
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.

• • • • • 
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado. 

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS