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Justiça Quarta-feira, 15 de Julho de 2026, 14:22 - A | A

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Mato Grosso do Sul

Apontado como líder do tráfico no Jardim Tijuca é transferido para presídio federal

Defesa contesta alegação de ameaças a agentes públicos e afirma que preso enfrenta problemas de saúde

Elaine Oliveira
Capital News

Apontado pelas autoridades como chefe do tráfico de drogas no Jardim Tijuca, em Campo Grande, Tiago Paixão Almeida foi transferido no último sábado (11) para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

O processo tramita em segredo de Justiça. Segundo o advogado de defesa, Luciano Caldas dos Santos, a transferência foi solicitada pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) sob a justificativa de que o detento estaria ameaçando agentes públicos.

“A Agepen relatou que ele estava ameaçando agentes públicos, mas não identificou esses servidores. Agora, vamos aguardar o prazo que o juiz dará para que a defesa possa se manifestar sobre essa alegação”, afirmou o advogado.

O pedido de transferência foi analisado pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, em despacho datado de 2 de junho de 2026.

Ainda conforme a defesa, a Agepen não apresentou provas que sustentem a acusação. “A Agepen não juntou prova alguma, mas primeiro transfere e depois abre prazo para as manifestações. A mim ele diz que não ameaçou ninguém e eu creio nisso. Vamos aguardar e analisar o que a Agepen vai juntar de provas em desfavor dele e também faremos nossa manifestação”, disse Luciano Caldas.

O advogado também destacou que a transferência dificulta a situação do preso em razão de problemas de saúde e da distância da família.

“Fica uma situação bem mais complicada para ele agora. O Tiago tem problemas de saúde, asma grave, além de um problema nos olhos e uma condição degenerativa na coluna. Ele não tem parentes em Mossoró e vai ter todo um custo para deslocamento. A mãe dele terá de ir para lá”, ressaltou.

Operação Blindagem

Tiago Paixão Almeida foi preso em 7 de novembro de 2025 durante a Operação Blindagem, deflagrada contra uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu em um edifício localizado na Travessa Ana Vani, no Jardim dos Estados, em Campo Grande.

Na ação, foram apreendidos documentos, armas, munições e dinheiro. Ao todo, a operação cumpriu 35 mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão.

De acordo com as investigações, que se estenderam por 25 meses, a organização atuava no tráfico interestadual de drogas, além de praticar corrupção ativa e passiva, usura, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.

A Polícia apontou que o grupo era comandado de dentro de presídios e possuía integrantes e colaboradores em Campo Grande, Anastácio, Aquidauana, Bonito, Corumbá, Jardim, Ponta Porã, Sidrolândia, além dos estados de São Paulo e Santa Catarina.

O processo permanece em segredo de Justiça e, até o momento, não há previsão para o julgamento de Tiago Paixão Almeida.

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