Apontado pelas autoridades como chefe do tráfico de drogas no Jardim Tijuca, em Campo Grande, Tiago Paixão Almeida foi transferido no último sábado (11) para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
O processo tramita em segredo de Justiça. Segundo o advogado de defesa, Luciano Caldas dos Santos, a transferência foi solicitada pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) sob a justificativa de que o detento estaria ameaçando agentes públicos.
“A Agepen relatou que ele estava ameaçando agentes públicos, mas não identificou esses servidores. Agora, vamos aguardar o prazo que o juiz dará para que a defesa possa se manifestar sobre essa alegação”, afirmou o advogado.
O pedido de transferência foi analisado pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, em despacho datado de 2 de junho de 2026.
Ainda conforme a defesa, a Agepen não apresentou provas que sustentem a acusação. “A Agepen não juntou prova alguma, mas primeiro transfere e depois abre prazo para as manifestações. A mim ele diz que não ameaçou ninguém e eu creio nisso. Vamos aguardar e analisar o que a Agepen vai juntar de provas em desfavor dele e também faremos nossa manifestação”, disse Luciano Caldas.
O advogado também destacou que a transferência dificulta a situação do preso em razão de problemas de saúde e da distância da família.
“Fica uma situação bem mais complicada para ele agora. O Tiago tem problemas de saúde, asma grave, além de um problema nos olhos e uma condição degenerativa na coluna. Ele não tem parentes em Mossoró e vai ter todo um custo para deslocamento. A mãe dele terá de ir para lá”, ressaltou.
Operação Blindagem
Tiago Paixão Almeida foi preso em 7 de novembro de 2025 durante a Operação Blindagem, deflagrada contra uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu em um edifício localizado na Travessa Ana Vani, no Jardim dos Estados, em Campo Grande.
Na ação, foram apreendidos documentos, armas, munições e dinheiro. Ao todo, a operação cumpriu 35 mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão.
De acordo com as investigações, que se estenderam por 25 meses, a organização atuava no tráfico interestadual de drogas, além de praticar corrupção ativa e passiva, usura, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.
A Polícia apontou que o grupo era comandado de dentro de presídios e possuía integrantes e colaboradores em Campo Grande, Anastácio, Aquidauana, Bonito, Corumbá, Jardim, Ponta Porã, Sidrolândia, além dos estados de São Paulo e Santa Catarina.
O processo permanece em segredo de Justiça e, até o momento, não há previsão para o julgamento de Tiago Paixão Almeida.
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