Uma ONG de proteção animal em Campo Grande virou alvo de ação civil pública do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) após a identificação de diversas irregularidades sanitárias, ambientais e administrativas no funcionamento do abrigo. A medida foi proposta pelas 42ª e 49ª Promotorias de Justiça e tem como objetivo garantir a regularização da instituição e o bem-estar dos animais acolhidos.
A investigação teve início a partir de um procedimento do próprio Ministério Público, com apoio de fiscalizações técnicas que apontaram problemas considerados graves. Entre eles estão condições sanitárias precárias, poluição causada por extravasamento de fossa, presença de água parada com focos de mosquito da dengue, além de animais com doenças de pele como sarna e dermatites, e falhas no manejo, higiene e alimentação.
Também foram identificadas irregularidades administrativas e financeiras, como uso de recursos sem comprovação em despesas diversas, incluindo serviços de transporte, bares e salão de beleza. O MPMS ainda apontou descumprimento de medidas judiciais por parte das responsáveis pela ONG.
Segundo a ação, as responsáveis pela instituição chegaram a ser presas em flagrante em duas ocasiões por suspeita de maus-tratos e poluição. Mesmo após a mudança de endereço, as irregularidades teriam continuado, mantendo as mesmas condições inadequadas.
Vistorias realizadas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e pelo Instituto de Criminalística do Estado de Mato Grosso do Sul apontaram ainda um cenário crítico, com suspeitas de doenças como leishmaniose, registros de mortes de animais, e ausência de médico veterinário responsável, além de acúmulo de fezes e problemas estruturais.
Diante da situação, o Ministério Público pediu em ação judicial que o município assumisse a gestão do abrigo e que as atividades da ONG fossem suspensas. No entanto, a Justiça negou o pedido de urgência e marcou audiência de conciliação para o dia 15 de julho. Com isso, a ONG segue em funcionamento até nova decisão judicial.
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