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Investigação

Justiça condena dupla ligada a quadrilha de contrabando de cigarros em Mato Grosso do Sul

Homens apontados como integrantes de esquema que atuava na vigilância de rotas e monitoramento de policiais receberam penas de 12 e 14 anos de prisão

Elaine Oliveira
Capital News

Divulgação/PF

Justiça condena dupla ligada a quadrilha de contrabando de cigarros em MS

Justiça condena dupla ligada a quadrilha de contrabando de cigarros em MS

A Justiça Federal em Mato Grosso do Sul condenou dois integrantes de uma organização criminosa especializada no contrabando de cigarros paraguaios a penas de 12 e 14 anos de prisão. O grupo, que tinha base em Itaquiraí, na região sul do Estado, mantinha uma estrutura organizada para monitorar a movimentação das forças de segurança e facilitar o transporte das cargas ilegais.

Os condenados são Rivaldo dos Santos Moreira, conhecido como “Piripaque”, e Adilson Costa de Souza, chamado de “Cobra”, “Cobrinha” ou “Piramboia”. As investigações apontaram que cada um exercia uma função específica dentro da organização.

Adilson era responsável pela coordenação da rede de vigilância e apoio. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), ele gerenciava os olheiros, definia pontos de observação, determinava o início e o fim das jornadas, estabelecia as frequências utilizadas pelos radioamadores e providenciava os equipamentos de radiocomunicação.

Rivaldo atuava como olheiro ou mateiro, mediante remuneração mensal. Ele ocupava pontos estratégicos, inclusive em matas e tubulações às margens de rodovias, para acompanhar o deslocamento de equipes policiais, como as do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). Também repassava alertas em tempo real e orientava novos integrantes sobre códigos e frequências utilizados pelo grupo.

As investigações tiveram início antes de 2017 e apontaram que, a partir de maio de 2019, a organização passou a atuar de maneira estável e estruturada. Entre maio de 2019 e janeiro de 2020, o grupo teria mantido as atividades criminosas em Itaquiraí.

A atuação foi comprovada por interceptações telefônicas e monitoramentos realizados durante a investigação. A denúncia do MPF reuniu três fatos principais: a formação da organização criminosa e duas grandes apreensões de cigarros.

Em agosto de 2019, foram apreendidas 800 caixas de cigarros em Itaquiraí. Dois meses depois, em outubro, as autoridades apreenderam sete caminhões e outras 4,2 mil caixas do produto contrabandeado.

Operações

Rivaldo e Adilson foram presos em julho de 2021, durante as operações Celeritas e Greasy Money, deflagradas pela Polícia Federal para desarticular a quadrilha. Na ocasião, foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva e 31 mandados de busca e apreensão.

O grupo tinha como líder apontado Gabriel Figueiredo Melato, conhecido como “Cavalo”. Ele foi condenado em dezembro de 2022 a 13 anos, dois meses e 20 dias de reclusão pelos crimes de organização criminosa e contrabando.

Rivaldo, que permaneceu foragido por cerca de cinco anos, foi localizado e preso em agosto de 2026, em Umuarama, no Paraná.

Estrutura organizada

Na sentença, o juiz federal Hugo Lazarin, da 1ª Vara Federal de Naviraí, destacou que as provas reunidas durante a investigação demonstraram o grau de organização do grupo, que teria mantido as atividades mesmo após as primeiras apreensões.

“O relatório-síntese da Operação Celeritas consolidou os dados extraídos dos diferentes períodos de interceptação, individualizou os integrantes, descreveu as funções desempenhadas e relacionou as comunicações aos eventos de apreensão. […] Desse conjunto emerge estrutura formada por mais de quatro pessoas, dotada de divisão funcional de tarefas, hierarquia, remuneração, equipamentos de comunicação, pontos de vigilância, rotas e turnos de trabalho, mantida de forma estável durante vários meses e direcionada à obtenção de vantagem econômica mediante a prática reiterada de contrabando de cigarros paraguaios”, ponderou o magistrado.

Com a decisão, Rivaldo foi condenado a 12 anos de prisão, enquanto Adilson recebeu pena de 14 anos de reclusão. A Justiça também manteve a prisão preventiva dos dois enquanto houver possibilidade de recurso.

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