O agronegócio está presente muito além das áreas rurais de Campo Grande. Levantamento do Observatório do Trabalho de Mato Grosso do Sul, da Funtrab, mostra que a cadeia do setor era responsável por 22.521 empregos formais na Capital até dezembro de 2025. O número representa 6,94% dos 324.441 vínculos formais registrados no município.
A maior parte dessas oportunidades está justamente fora da produção primária. Do total de empregos ligados ao agro, 16.167, ou 71,8%, estavam concentrados em atividades de indústria, comércio e serviços. Outros 6.354 vínculos, equivalentes a 28,2%, estavam diretamente relacionados ao setor produtivo.
Para chegar aos dados, o Observatório do Trabalho de MS considerou 249 subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), abrangendo atividades que vão da produção rural à agroindústria, comércio e serviços relacionados à cadeia.
Indústria concentra maior número de empregos
A indústria é o segmento que mais emprega dentro da cadeia do agronegócio em Campo Grande. São 10.226 vínculos formais, o equivalente a 45,4% do total. O comércio aparece na sequência, com 5.834 trabalhadores, enquanto os serviços somam 107 vínculos no recorte analisado.
Entre as ocupações com maior número de contratações estão alimentador de linha de produção, trabalhador na produção de mudas e sementes, trabalhador de extração florestal, motorista de caminhão, atendente de lojas e mercados, trabalhador agropecuário e assistente administrativo.
Para o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan, os números mostram que a participação do agronegócio na economia urbana é maior do que muitas vezes é percebida.
“Quando falamos em oportunidades no agro, precisamos olhar para toda a cadeia. O setor começa no campo, mas movimenta a indústria, o transporte, o comércio, a tecnologia, a gestão e uma série de serviços. Campo Grande concentra muitas dessas atividades e isso faz com que o agronegócio também esteja presente no cotidiano profissional de milhares de pessoas que trabalham dentro da cidade”, destaca.
Qualificação acompanha expansão
Com a diversificação das atividades, cresce também a demanda por profissionais preparados para funções que exigem conhecimento técnico e especializado.
Em Campo Grande, o Senar/MS oferece capacitações por meio de ações de Formação Profissional Rural e Promoção Social. Somente em 2025, foram emitidos mais de 3,8 mil certificados no município. Em 2026, o número já ultrapassa 2,1 mil.
A qualificação também ocorre por meio da educação técnica. Em parceria com o Sindicato Rural de Campo Grande, o Senar/MS já formou 210 profissionais em cursos técnicos. Atualmente, nove turmas estão em andamento nas áreas de Agronegócio, Zootecnia, Segurança do Trabalho e Florestas.
“O mercado de trabalho do agro está cada vez mais amplo e exige profissionais preparados para diferentes funções. Quando investimos em educação e conhecimento, estamos ajudando a aproximar as pessoas das oportunidades que surgem em diversas cadeias dentro da cidade”, afirma Lucas Galvan.
Agro ultrapassa as porteiras
Os números reforçam a conexão entre o meio rural e a economia urbana de Campo Grande. A cadeia do agronegócio movimenta empregos em fábricas, lojas, transportadoras, escritórios e empresas de serviços, mostrando que o setor está inserido em diferentes áreas do cotidiano da Capital.
Aos 127 anos, Campo Grande mantém a relação histórica com o agronegócio, mas com uma característica cada vez mais evidente: as oportunidades geradas pelo setor ultrapassam as porteiras e chegam a diferentes profissões e segmentos da economia.
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