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Fronteira do Negócio Domingo, 17 de Maio de 2026, 14:41 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

Cidade brasileira se firma como principal polo da economia criativa na América Latina

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

Eventos, audiovisual, tecnologia e turismo de negócios impulsionam transformação econômica e consolidam novo protagonismo no cenário latino-americano

Matheus Bertelli/Pexels

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Reconhecido pela Unesco, em 2023, como Cidade Criativa da Literatura, o Rio de Janeiro chega a 2026 como o principal hub de economia criativa da América Latina. A nomeação integra a Rede de Cidades Criativas, e a justificativa se dá pelo fato de a cidade usar o livro e a leitura para reduzir desigualdades. Já o destaque continental ocorre com base em segmentos como audiovisual, publicidade, design e software.

A combinação de um calendário robusto de eventos nacionais e internacionais, como a feira da criatividade no Rio de Janeiro; novos editais de fomento à cultura e à inovação; a maturação de hubs tecnológicos; e a integração entre cultura, turismo e negócios consolidou uma agenda econômica que ultrapassa as areias da praia e os eventos voltados para o lazer.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) fluminense deve ser de 3% neste ano, superando a média nacional. Se confirmado, será o quinto ano consecutivo acima do desempenho do paísl.

O fortalecimento do Rio de Janeiro como a capital de grandes eventos reflete no número de visitantes estrangeiros. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), quase 2,2 milhões de turistas desembarcaram na capital em 2025, um crescimento de 43,7% em relação a 2024.

Além do calendário cultural já conhecido na cidade, como Rèveillon, carnaval, shows e programações esportivas, parte desse público desembarca na cidade após comprar tickets de evento de criatividade, confirmar presença em conferências e ser atraído pelo turismo de negócios.

Impactos do turismo de negócios

A indústria de eventos de negócios é decisiva para o desenvolvimento econômico.

Recursos injetados em conferências, feiras e outros formatos impactam as cadeias de turismo e serviços. A Pesquisa de Impacto Econômico dos Eventos Internacionais Realizados no Brasil, desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), revela que os turistas de negócios gastam cerca de quatro vezes mais que os turistas de lazer.

Além disso, os grandes eventos impulsionam a economia criativa do Rio de Janeiro por meio da atração de investimentos, já que funcionam como vitrines, acelerando a captação de recursos para projetos audiovisuais, música, experiências imersivas e tecnologia aplicada à cultura.

Um exemplo de oportunidade são as plataformas de pitching e rodadas de negócios. Por meio dessas ações, é possível diminuir o caminho entre criadores e capital. Entender o que é pitch ajuda a compreender a aproximação de startups criativas e investidores globais.

“Estamos falando da capacidade que um lugar tem de transformar seus ativos culturais, criativos, sociais e identitários em reputação, atração e resultados concretos para a indústria e para os negócios”, aponta o analista de projetos especiais da Firjan, Oswaldo Gama Neto. Ele se refere ao conceito soft power, que é a capacidade de influenciar o comportamento por meio de atração, admiração e credibilidade.

O protagonismo da capital carioca está expresso, também, nos anuários da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que mostram a relevância histórica do Rio na cadeia do cinema e da TV, concentrando produtoras, emissoras e infraestrutura técnica que sustentam um ecossistema competitivo e exportador.

Investimentos e conexões

Para este ano, a prefeitura do Rio de Janeiro disponibilizou mais de R$ 84 milhões para editais de conteúdo artístico cultural, por meio do Edital do Produtor Cultural. Já a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SececRJ) lançou sete editais, com aporte de mais de R$ 31 milhões destinados a projetos culturais.

No nicho da inovação, o Pitching de Soluções Criativas do Rio2C conecta, de forma estratégica, novos negócios criativos a um público qualificado, que conta com executivos, grandes empresas, investidores-anjo e venture capitals.

Quanto às tendências, segudo informações do setor, a indústria criativa no Rio de Janeiro está engajada na transição ecodigital. O objetivo é alinhar sustentabilidade ambiental e tecnologias de ponta, como a inteligência artificial (IA). Esse movimento deve posicionar a cidade como um hub de inovação, unindo a riqueza cultural a soluções tecnológicas responsáveis.

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