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Fronteira do Negócio Domingo, 30 de Agosto de 2026, 15:43 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

Abrir uma empresa é só o começo: o desafio de conquistar clientes em Mato Grosso do Sul

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

Com mais de 10,4 mil novos negócios abertos no Estado entre janeiro e julho de 2026, empreendedores enfrentam uma disputa crescente pela atenção e pela preferência dos consumidores

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Empreender nunca foi apenas abrir as portas de um negócio. Entre transformar uma ideia em empresa e construir uma operação capaz de conquistar clientes, existe um caminho que passa por planejamento, posicionamento e capacidade de se diferenciar. Em Mato Grosso do Sul, esse desafio ganha ainda mais importância diante do avanço recente no número de novos negócios.

O cenário é positivo para quem deseja empreender, mas também aumenta a concorrência. Empresas que antes disputavam consumidores apenas com estabelecimentos próximos hoje dividem a atenção com negócios de toda a cidade e, dependendo do segmento, até de outras regiões. Nesse ambiente, questões como presença digital, reputação e comunicação começam a fazer parte das decisões estratégicas desde os primeiros meses de atividade.

Isso não significa que toda empresa recém-aberta precise imediatamente investir em grandes campanhas ou contratar grandes nomes para divulgação. Significa, porém, que pensar em como o público encontrará, entenderá e escolherá aquele negócio deixou de ser uma preocupação para o futuro.

O crescimento empresarial de Mato Grosso do Sul ajuda a mostrar essa transformação. Quanto maior for o número de empresas disputando espaço, mais importante se torna responder a uma pergunta aparentemente simples: após abrir o negócio, como fazer o consumidor saber que ele existe?

Mato Grosso do Sul vive um novo momento do empreendedorismo

Dados divulgados pela Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) mostram a dimensão desse movimento. Entre janeiro e julho de 2026, foram abertas 10.415 empresas no Estado. Somente em julho, 1.437 novos negócios foram registrados, enquanto 992 empresas tiveram suas atividades encerradas naquele mês.

O setor de serviços respondeu pela maior parte das novas constituições em julho, com 1.098 registros, o equivalente a 76,4% do total. Considerando os sete primeiros meses do ano, foram 7.973 empresas de serviços abertas, contra 2.151 no comércio e 291 na indústria. Os números mostram uma economia na qual atividades que dependem diretamente da conquista e manutenção de clientes ocupam uma parcela significativa dos novos negócios.
A própria Capital News destacou esse crescimento ao mostrar o avanço das novas empresas em Mato Grosso do Sul.

Campo Grande ajuda a dimensionar ainda melhor esse cenário. Segundo outro levantamento publicado pelo Capital News, a Capital alcançou 149.147 empresas ativas, número 44,62% superior ao registrado em 2020. A simplificação de processos e medidas voltadas à liberdade econômica contribuíram para tornar o ambiente mais favorável à atividade empresarial.

Mais empresas também significam mais disputa pela atenção do consumidor

O surgimento de novos negócios é um sinal importante de dinamismo econômico. Ao mesmo tempo, o crescimento amplia a quantidade de empresas disputando consumidores que continuam tendo tempo, atenção e orçamento limitados. Esse cenário é particularmente perceptível no setor de serviços, justamente o que lidera a abertura de empresas em Mato Grosso do Sul.

Uma clínica, empresa de manutenção, escritório, restaurante, loja, prestador especializado ou negócio de serviços administrativos pode oferecer um trabalho de qualidade e ainda assim ter dificuldade para crescer caso poucas pessoas saibam de sua existência. A qualidade continua sendo fundamental, mas precisa ser percebida antes que o consumidor tome uma decisão.

É nessa etapa que muitos novos empreendedores encontram um desafio diferente daquele enfrentado na abertura formal da empresa. Após organizar documentação, estrutura, fornecedores e operação, chega o momento de criar uma base de clientes. E, na prática, essa tarefa envolve disputar atenção com empresas que muitas vezes já possuem anos de mercado, avaliações, seguidores, conteúdo publicado e presença consolidada nos mecanismos de busca.

Por isso, o crescimento da concorrência não deve ser interpretado apenas como ameaça. Ele também exige profissionalização. Empresas que compreendem seu público, deixam clara sua proposta e constroem canais eficientes para serem encontradas aumentam suas possibilidades de participar dessa disputa, inclusive quando começam menores do que concorrentes já estabelecidos.

Presença nas redes sociais já não é suficiente

Durante muitos anos, criar um perfil comercial em uma rede social era tratado como sinal de modernização. Hoje, essa presença está disseminada entre empresas de praticamente todos os setores. O desafio deixou de ser simplesmente entrar no ambiente digital e passou a ser encontrar uma maneira estratégica de utilizá-lo.

A pesquisa TIC Empresas 2025, produzida pelo Cetic.br, ajuda a dimensionar essa realidade. Entre as empresas com acesso à internet no Centro-Oeste, 74% possuíam perfil ou conta em plataformas como Instagram, TikTok e similares. Já WhatsApp ou Telegram estavam presentes em 78% das empresas pesquisadas na região.

Os números mostram que criar uma conta deixou de representar, por si só, vantagem competitiva. Se grande parte dos concorrentes já utiliza os mesmos canais, a diferença passa a estar na forma como cada empresa se apresenta, responde às necessidades do público e transforma esses espaços em pontos de contato capazes de gerar confiança.

Há ainda outro dado relevante. Segundo a mesma pesquisa, 41% das empresas com acesso à internet no Centro-Oeste afirmaram ter pago por anúncios online. Isso mostra que até a compra de mídia já faz parte da realidade de parcela expressiva do mercado empresarial. A presença digital está amadurecendo e, com ela, cresce também a necessidade de planejamento para evitar investimentos realizados sem objetivos claros.

O consumidor mudou a forma de encontrar e escolher empresas

A transformação não ocorreu somente do lado das empresas. O consumidor também passou a utilizar diferentes fontes antes de decidir onde comprar, contratar ou solicitar um orçamento. Redes sociais, mecanismos de busca, mapas, avaliações, sites, vídeos e aplicativos de mensagem podem participar da mesma jornada de decisão.

Isso significa que uma pessoa pode descobrir uma empresa no Instagram, pesquisar seu nome no Google, observar as avaliações de outros clientes, visitar o site para entender melhor o serviço e somente depois iniciar uma conversa pelo WhatsApp. Para o negócio, cada uma dessas etapas ajuda a construir ou reduzir a percepção de confiança.

O comportamento híbrido também aparece no próprio consumo sul-mato-grossense. As lojas físicas permaneciam como principal escolha dos consumidores, mas compras pela internet e negociações com profissionais autônomos por canais digitais também apareciam entre as intenções registradas.

Essa combinação mostra por que separar completamente o negócio físico do digital faz cada vez menos sentido. Uma empresa não precisa necessariamente vender pela internet para ser influenciada por ela. Para diversos segmentos, o papel do ambiente online acontece antes da venda: é nele que o consumidor encontra informações, compara alternativas e decide com quem deseja conversar.

O que separa empresas que aparecem das que realmente conquistam clientes?

Visibilidade é importante, mas aparecer não significa automaticamente vender. Uma publicação pode alcançar milhares de pessoas e não produzir oportunidades relevantes. Um site pode receber acessos sem gerar contatos. Uma campanha de anúncios pode consumir orçamento sem trazer o público adequado. O resultado depende da conexão entre diferentes etapas.

O primeiro ponto é compreender para quem a empresa pretende vender e qual problema deseja resolver. Depois disso, entram decisões sobre linguagem, canais, identidade, conteúdo, mecanismos de busca, mídia e relacionamento. O marketing deixa de ser uma sequência de ações isoladas e passa a fazer parte da construção do próprio negócio.

É nesse contexto que o trabalho de uma agência especializada pode assumir um papel estratégico. Mais do que produzir postagens ou anúncios, uma agência de marketing digital pode auxiliar na organização dessas diferentes frentes, identificando quais canais fazem sentido para cada empresa, como mensurar resultados e onde concentrar recursos. Para negócios em fase inicial, essa análise também ajuda a evitar a tentativa de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

O objetivo não deve ser simplesmente aumentar seguidores, visualizações ou cliques. Dependendo da empresa, um resultado relevante pode ser receber mais pedidos de orçamento, aumentar visitas ao estabelecimento, aparecer para pesquisas relacionadas ao serviço, fortalecer a reputação ou construir relacionamento com potenciais clientes. Definir essa prioridade é o que transforma ferramentas digitais em estratégia empresarial.

Para Pedro Amorim, consultor de negócios da Estação Indoor Agência de Marketing Digital, um dos erros de quem inicia uma empresa é deixar a estratégia de comunicação para depois. “Muitos empreendedores concentram toda a energia em abrir o negócio e imaginam que os clientes aparecerão naturalmente. Só que, em mercados cada vez mais concorridos, pensar em como a empresa será encontrada precisa fazer parte do planejamento desde o início”, explica.

Segundo o consultor, também é preciso evitar a ideia de que marketing digital significa apenas alimentar redes sociais. “Uma empresa pode postar todos os dias e continuar invisível para quem realmente procura aquilo que ela oferece. Estratégia é entender onde está o cliente, o que ele pesquisa, quais informações precisa encontrar e o que fará aquela empresa ser considerada no momento da escolha. É essa conexão que transforma presença digital em oportunidade de negócio”, destaca Amorim.

Abrir as portas é apenas a primeira conquista

Os números recentes de Mato Grosso do Sul mostram um ambiente favorável ao surgimento de empresas e revelam disposição para empreender. Ao mesmo tempo, milhares de novos negócios chegando ao mercado tornam a disputa pela atenção do consumidor cada vez mais intensa.

Nesse cenário, planejamento financeiro, qualidade do produto ou serviço, atendimento e eficiência operacional continuam essenciais. Mas a capacidade de ser encontrado e de comunicar valor também passou a fazer parte da construção de uma empresa sustentável.

Abrir um CNPJ transforma uma ideia em empresa. Fazer com que essa empresa seja lembrada, considerada e escolhida exige uma etapa seguinte. Para os milhares de novos empreendedores de Mato Grosso do Sul, talvez esse seja um dos principais desafios depois que as portas finalmente se abrem.

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