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Rural Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2026, 15:40 - A | A

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Recuperação

Mato Grosso do Sul reduz em mais de 50% áreas de pastagens degradadas

Estado avança com tecnologias sustentáveis, políticas públicas e financiamento para fortalecer a agropecuária

Elaine Oliveira
Capital News

Mato Grosso do Sul tem avançado de forma consistente na recuperação de pastagens degradadas e na consolidação de uma agropecuária mais produtiva e sustentável, alinhada às exigências dos mercados nacional e internacional.

Em 2023, o Estado possuía cerca de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação, segundo dados do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas. O cenário está ligado à histórica expansão da pecuária extensiva, marcada por baixa taxa de lotação animal, manejo inadequado e ausência de reposição de nutrientes ao solo, agravados por solos arenosos e longos períodos de seca.

Relatório recente da Coordenadoria de Agricultura da Semadesc, com base em dados do MapBiomas, aponta que as áreas de pastagens com baixo vigor apresentaram redução expressiva nos últimos anos. Em 2010, eram 6,2 milhões de hectares, número que caiu para 2,9 milhões em 2024, uma queda de aproximadamente 52% em Mato Grosso do Sul. O resultado é atribuído à adoção de novas tecnologias, ao fortalecimento das práticas de conservação do solo e à implementação de sistemas produtivos mais sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que já supera 3,6 milhões de hectares no Estado.

Parte dessas áreas ainda está localizada no Pantanal, em regiões de campo nativo inseridas em zonas de uso restrito, consideradas áreas de resguardo ambiental e não passíveis de alteração, conforme a legislação vigente. Além disso, análises baseadas em imagens de satélite sofrem influência da sazonalidade, especialmente durante períodos de estiagem, o que pode impactar a interpretação do vigor das pastagens.

Deurico/Capital News

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Jaime Verruck

Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o desafio vem sendo enfrentado com políticas públicas estruturantes e integração entre governo, produtores e setor produtivo. “Mato Grosso do Sul tem clareza do tamanho do desafio, mas também das oportunidades. A recuperação de pastagens degradadas é estratégica para aumentar a produtividade, reduzir a pressão por abertura de novas áreas e fortalecer uma agropecuária de baixa emissão de carbono. Estamos atuando com planejamento, base técnica e instrumentos financeiros para apoiar o produtor rural nessa transição”, afirmou.

Um dos principais instrumentos é o Fundo Constitucional do Centro-Oeste. Em 2024, foram destinados mais de R$ 500 milhões em projetos de correção do solo e recuperação de pastagens na modalidade FCO Rural. Desse total, mais de R$ 180 milhões foram aplicados na reforma de pastagens, por meio de 93 cartas-consulta, e quase R$ 400 milhões em 170 projetos de correção do solo. “A melhoria nestes índices está relacionada à adoção de novas tecnologias e investimentos na recuperação das pastagens e correção do solo. Temos políticas públicas e estamos usando o Fundo Constitucional do Centro-Oeste, que tem sido o grande financiador da recuperação de áreas degradadas”, completou.

O avanço também é impulsionado por programas estruturantes do Governo do Estado. O Plano Estadual de Manejo e Conservação de Solo e Água promove práticas conservacionistas, recuperação da fertilidade do solo e restauração de áreas afetadas por erosão. O Precoce MS incentiva a produção de carne bovina de alta qualidade, com bonificações a produtores que adotam manejo sustentável das pastagens e análise da fertilidade do solo.

Outro eixo estratégico é o MS Irriga, que incentiva o uso racional da água e tecnologias de irrigação sustentáveis, permitindo a intensificação de áreas agropecuárias. Já o Plano Estadual ABC+ estimula a adoção de sistemas como ILPF, plantio direto, uso de bioinsumos e intensificação sustentável da pecuária, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

“Hoje, Mato Grosso do Sul é referência nacional em sistemas de ILPF, com mais de 3,6 milhões de hectares implantados. Isso mostra que é possível produzir mais, com eficiência, sustentabilidade e segurança ambiental, atendendo às demandas do mercado e da sociedade”, finalizou Jaime Verruck.

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