A busca por uma vida melhor foi o motivo que fez o Ahmed Abdelmoatamed A Bakhit de 32 anos vir para o Brasil. Nascido em Assiut, no Egito, deixou a cidade natal por causa da falta de oportunidade de emprego. Em terras sul-mato-grossenses começou um novo capítulo na sua história, história essa que mudou depois de um trágico acidente.
Ahmed trabalhava como vigilante em um hospital, no dia 19 de julho de 2019 ele seguia para o trabalho de moto quando foi atingido por um veículo conduzido por um policial. Segundo ele, o acidente foi no cruzamento da Rua Rui Barbosa com a Fernando Corrêa da Costa.
Fiquei em choque e sofri muito
Ele fala que com o impacto da batida, foi lançado da moto, o capacete voou da sua cabeça e ele bateu no meio-fio e ficou desacordado. Ahmed relembra que quando acordou já estava no hospital da Santa Casa onde foi surpreendido com a notícia de que nunca mais poderia andar. “Foi uma tristeza grande, fiquei em choque e sofri muito”, frisou.
No local, o vigilante ficou internado mais de 30 dias. O estrangeiro que, na época era casado, tem um filho de 5 anos, trabalhava em dois empregos. No período da manhã no camelódromo vendendo roupas e de noite trabalhava de segurança num hospital. “Minha vida estava boa, pensei: agora vai dar tudo certo comigo, minha vida e da minha família vai melhorar, mas infelizmente não durou muito tempo”, relembra.
Na cadeira de rodas, o Ahmed perdeu o emprego, a esposa o abandonou e hoje ele vive com o salário de uma aposentadoria, na qual mal dá para pagar o aluguel da kitnet onde mora no centro da cidade. “Estou pagando aluguel, luz, água, comida, internet, gás de cozinha e remédios do meu uso com o valor”, são muitos gastos.
Dor da vida, é muito triste!
Ahmed está há oito anos no Brasil e hoje reclama da mudança na vida após o acidente. Ele fala que conta com a ajuda de um irmão, que às vezes, vem para o Brasil visitá-lo, sem ele não conseguiria se manter. “As pessoas acham que o sofrimento de um cadeirante é só a cadeira, mas a verdade é que uma pessoa com deficiência tem que conviver com dor todos os dias. A dor de não conseguir fazer o que fazia antes, dor do olhar das pessoas para ele, dor da vida, é muito triste!”
Quando pergunto se ele pensa em voltar para o país de origem ele diz que não e que está no Brasil porque aqui ainda é melhor que o país dele. O seu sonho hoje é voltar a estudar e poder trabalhar na área da saúde.
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