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Reportagem Especial Sábado, 14 de Março de 2026, 07:54 - A | A

Sábado, 14 de Março de 2026, 07h:54 - A | A

Amor que cura

Amor que cura: Animais de estimação ajudam a melhorar saúde mental e combater a solidão

Dia Nacional dos Animais destaca benefícios emocionais e terapêuticos da convivência com pets

Elaine Oliveira
Capital News

Renata Santos

Joaquim Rodrigues dos Santos, de 95 anos

Joaquim Rodrigues dos Santos, de 95 anos

Um olhar atento, um gesto de carinho ou simplesmente a presença silenciosa ao lado. Para muitas pessoas, os animais de estimação são muito mais do que companhia: tornam-se aliados importantes para a saúde mental.

Celebrado em 14 de março, o Dia Nacional dos Animais reforça a importância dessa relação entre humanos e pets. Em um cenário marcado pelo aumento de casos de ansiedade, depressão e solidão, pesquisas científicas apontam que a convivência com animais pode melhorar o bem-estar emocional e até auxiliar no tratamento de doenças psicológicas.

Um levantamento realizado pelo Human Animal Bond Research Institute (HABRI), em 2022, mostrou que 74% dos tutores perceberam melhora na saúde mental após conviver com um animal de estimação. O contato com os pets estimula áreas do cérebro ligadas ao prazer e ao bem-estar, favorecendo a liberação de endorfinas e gerando sensação de tranquilidade.

O idoso Joaquim Rodrigues dos Santos, de 95 anos, vive essa realidade diariamente ao lado do seu gatinho Théo. Há quase três anos, o animal se tornou mais do que companhia.

“O Théo costuma sair para caçar e brincar com outros gatos. Por causa disso, já ficou perdido uma vez e eu senti muito a falta dele. Hoje, quando ele demora, eu já vou atrás. Não consigo ficar sem meu bichinho”, conta.

Dados apontam ainda que 72% dos tutores relatam redução nos sintomas de depressão após adotarem um animal, enquanto 87% percebem melhora geral na saúde emocional.

Para o especialista em saúde mental Eduardo Araújo, a explicação está no vínculo afetivo criado com os pets.

“Os animais oferecem uma forma de afeto incondicional, sem julgamento. Esse vínculo estimula sentimentos de pertencimento, reduz a sensação de solidão e ajuda a reorganizar a rotina, fatores fundamentais para quem enfrenta quadros de ansiedade ou depressão”, explica.

Aliados no combate à depressão

Acervo Pessoal

Dr. Eduardo Araújo

Dr. Eduardo Araújo

Em casos de depressão, quando a pessoa muitas vezes perde o interesse pelas atividades do dia a dia, os animais podem ter um papel terapêutico importante. A necessidade de cuidar do pet — alimentar, passear ou brincar — ajuda a estabelecer uma rotina e recuperar gradualmente o senso de propósito.

“Em muitos casos, o animal funciona como um mediador emocional. Ele ajuda o paciente a se reconectar com sentimentos positivos e pode ser um apoio importante no processo terapêutico”, reforça o especialista.

Entre os idosos, os benefícios são ainda mais evidentes. A solidão é considerada um dos principais fatores de risco para problemas emocionais na terceira idade — e é justamente nesse ponto que os pets fazem a diferença.

Seja em casa, em parques ou até em ambientes hospitalares, os animais exercem um papel silencioso, mas poderoso: lembram que o afeto, a presença e o cuidado também são formas profundas de cura.

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