Para a vice-governadora Simone Tebet, a reforma tributária em tramitação no Congresso Federal pode prejudicar estados como Mato Grosso do Sul na atração de indústrias. Em entrevista ao jornalista Sérgio Cruz, para o programa de rádio Tribuna Livre nesta quinta-feira (18), Simone destacou que o fim da isenção fiscal, por exemplo, irá diminuir a vinda de indústrias para investir no Estado.
“A atração de indústrias ia muito bem até meados do ano passado, quando o fantasma da reforma tributária surgiu, que é positiva por um lado, que vai diminuir impostos, mas negativa por outro que vai prejudicar estados como o nosso, como, por exemplo, com a proibição de dar incentivos fiscais para indústrias. A partir de que ano esses incentivos vão parar de vigorar? Se tínhamos uma média de dez indústrias querendo vir para o Estado agora temos duas”, lamentou.
Segundo Simone, a isenção fiscal representaria cerca de 80% do atrativo das indústrias que vêm para o Estado. Só no governo de André Puccinelli, a vice-governadora disse que foram atraídos em torno de R$ 29 bilhões de investimentos para o setor. “Poucos estados conseguiram uma atração deste nível”, disse.
Para a vice-governadora, é preciso que o Governo Federal entenda que não se pode vigorar uma legislação só, quando se há diferenças na economia dos estados. “Temos vários ‘Brasis’ dentro de um país só, não dá para fazer uma legislação para todos, não dá para tratar de forma igualitária aos que são desiguais”, ponderou.
Se Estado perder este incentivo as indústrias vão preferir se instalar em grandes centros, devido à facilidade de transporte e escoação do produto. “Temos empresas que vêm independente do incentivo, por exemplo, em Corumbá que vão pela matéria prima do minério. A Cargil que veio pela soja. Mas empresas que podem montar em qualquer lugar não virão para cá pagar um frete altíssimo”, destacou Simone.
De acordo com ela, muitos pensam que Mato Grosso do Sul é rico, mas com a exportação de produtos primários o Estado perde por não poder cobrar ICMS devido a proibição da Lei Kandir.
“Tudo o que exportamos de produtos in natura não vem R$ 1,00 de ICMS para o Estado. Só ano passado a Lei Kandir nos deve mais de R$ 500 milhões. Então são questões como esta que atrapalha investimentos, para melhorar setor da Saúde, salários, policiamento, por exemplo”, criticou.
Os dados do Governo alegam que para cada emprego direto que o setor industrial cria, outros 2,5 empregos indiretos nos setores do Comércio e Serviços são criados. “O Estado é relativamente forte graças a essa diversidade da economia, quando nós passamos a investir no agronegócio e resolvemos agregar valor na nossa matéria prima com a industrialização, então esse é o grande foco de investimentos do Governo do Estado no momento”, concluiu.
